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quinta-feira, 15 de julho de 2010

História dos Estádios: Capítulo VIII


História dos Estádios:
Capítulo VIII - Estádio do Sport Lisboa e Benfica
1.º Estádio da Luz (1954 a Outubro de 2003)



O dia 1 de Dezembro de 1954 é a data que assinala um dos maiores feitos da história Benfiquista - a inauguração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, popularmente conhecido por Estádio da Luz. Foi o culminar de um sonho de muitos anos, após inúmeras iniciativas e actividades que movimentaram o País e as colónias portuguesas, num esforço gigantesco que merece figurar na história contemporânea de Portugal como um dos seus capítulos mais vibrantes. Podemos classificar o Estádio como um monumento erguido com a vontade de um povo! Após várias décadas sem casa própria, o maior e mais popular clube português conseguia, finalmente, um estádio à imagem da sua dimensão.



Logo que, em Março de 1944, o Clube teve conhecimento de que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) - proprietária do Campo Grande, onde o Benfica jogava desde 05/10/1941 - estava a estudar uma nova localização para o recinto benfiquista, começou a pensar-se na ideia de construir um novo estádio. Porém, os anos foram passando e as Direcções do Clube, eleitas anualmente, mostravam-se incapazes de obter, da CML, terrenos para a edificação do novo campo. Alguns associados descontentes com a situação são eleitos, a 19/01/1946, para a direcção, conseguindo, a 17/05/1946, um encontro no Ministério das Obras Públicas, durante o qual o ministro eng.º Cancela de Abreu se mostra interessado na resolução do problema, afirmando que "o Benfica é de Benfica e para lá tem de voltar!".



Iniciava-se, então, o processo que levaria à construção do estádio actual. Joaquim Bogalho tinha um conjunto de princípios que procurava implementar. O estádio deveria ser feito ao nível do melhor clube português, salvaguardando o seu pagamento imediato, de modo a evitar empréstimos que hipotecassem novamente o futuro, como acontecera com o estádio das Amoreiras havia dois decénios! É que, considerava-se, o enfraquecimento do nosso futebol durante os anos 30 e 40 muito se devera aos pagamentos de empréstimos para a construção desse estádio, o que exaurira o clube ("esse cancro que corroía a nossa existência; um tormento atroz.", nas palavras de Bogalho), conduzindo à debilitação da equipa principal de futebol. Procuravam-se, assim, terrenos amplos e acessíveis na cidade de Lisboa, bem localizados e onde se conseguisse construir um "Parque de Jogos" que fosse ao encontro do eclectismo do Clube.



Procurava-se, por tudo isto, obter terrenos em condições vantajosas: topografia que facilitasse (e não encarecesse) os trabalhos e a um preço acessível, já que o desejo não era arrendar mas sim comprar - o que, para evitar encargos futuros, só viria a ser possível em 21/10/1969. Quanto ao tipo de construção, o ideal seria um estádio sem luxos, mas funcional, à imagem do Benfica, ou seja, um recinto desportivo com uma capacidade de assistência aceitável para a massa associativa (40 000 lugares - o Clube registava 14 334 sócios em 31/12/1949) e erguido a partir de um projecto que comtemplasse a possibilidade de ampliação futura. Depois de delimitados os terrenos em Carnide - entre a estrada de Benfica, a rua dos Soeiros e a azinhaga da Fonte (próximo do local onde estava projectada a nova avenida circular de Lisboa) -, iniciaram-se as expropriações por parte da CML, a 15/11/1949.



A elaboração do projecto do "Novo Parque de Jogos" foi entregue ao arquitecto João Simões, antigo futebolista do Clube, nas categorias inferiores, entre 1925/26 e 1929/30, que teve a sabedoria de conceber um conjunto de recintos desportivos magnífico para o estádio principal e para os espaços desportivos envolventes, uma obra arquitectónica notável, que, apesar de concluída apenas 40 anos depois, seguiu as "linhas gerais" definidas em finais dos anos 40 por João Simões, o que enaltece a genialidade do projecto inicial. Já nos anos 50, iniciam-se as campanhas financeiras que vão viabilizar a construção do estádio. A 27/10/1951, surge a ideia de aumentar voluntariamente a quota de 16$00 para 20$00, dando início à campanha "Fundos para o novo Estádio", que rapidamente tem grande adesão por parte dos associados.



Mas é com a eleição da Direcção presidida por Joaquim Bogalho, em 15/03/1952, que se incrementam diligências para a construção do estádio. Destas, destaca-se a criação da "Comissão Central do Novo Parque de Jogos do SLB", encabeçada por Joaquim Bogalho. A Comissão estimulou e desenvolveu variadas iniciativas e coordenou ideias de outros associados, gerando-se um movimento imparável, exaltado de benfiquismo e que permitiu o êxito das várias iniciativas, devidamente publicitadas no semanário do clube, O Benfica. Após a Assembleia Geral de 16/07/1952 ter autorizado a Direcção a assinar o contrato de ocupação dos terrenos que a CML destinara ao futuro estádio do Clube, entrou-se num período de euforia que só viria a dissipar-se com a inauguração do Estádio.



A visita à Estrada da Luz, 203, local dos terrenos do futuro estádio, determinou o lançamento da campanha de donativos "O Primeiro Impulso", arrancando, desde logo, com 90 000$00. A escritura da cedência dos terrenos efectuou-se na CML, a 06/11/1952. A área foi de 120 000 m2, sob arrendamento mensal de 1 500$00, passando, mais tarde, em Julho de 1954, para 5 000$00, também mensais, mas sempre com a perspectiva de aumentar a área envolvente e garantir a compra dos terrenos, o que realmente viria a acontecer. Em Janeiro de 1953, as dádivas começam a ser recolhidas no "Fundo de Construção do Novo Parque de Jogos do Clube". Quando a 23/05/1953 é adjudicada a empreitada de terraplanagens, pelo valor de 840 000$00, contabilizava-se já, nos "Fundos Pró-Estádio", um total de 1 355 658$00.



A inauguração oficial das obras efectua-se em 14/06/1953. Numa primeira fase, o Clube desenvolve uma intensa campanha para obtenção de fundos: leilões diários na Secretaria, espectáculos pró-estádio, sorteios monumentais e disponibilização de um mealheiro gigante no Pavilhão do Benfica na Feira Popular. São levadas a cabo, também, algumas iniciativas de âmbito cultural, como um concurso de cartazes e outro de quadras populares. O êxito destas acções permite ao Clube guarnecer-se de recursos financeiros para os trabalhos iniciais de terraplanagem do local, por onde vão passando milhares de pessoas que não deixam de colaborar, pagando 10$00 por cada enxadada. Tudo isto com a ajuda do jornal O Benfica, que reserva semanalmente as páginas 4 e 5 (centrais), com o título "Pró-Estádio do Benfica", acompanhando o desenrolar dos acontecimentos e das acções de angariação de fundos e noticiando e promovendo novas iniciativas.



Com a multiplicação dos Festivais Pró-Estádio em vários locais, dentro e fora do país, do Minho a Timor, os trabalhos decorrem sem interrupções, em pleno clima de exaltação. A 30/01/1954, quando se adjudica a empreitada para as fundações das bancadas - pelo valor de 542 330$00 -, havia nos "Fundos" um saldo de 2 336 825$48. Em simultâneo, inicia-se uma gigantesca "Campanha do Cimento". Quando, a 17/05/1954, se inicia a construção das bancadas do 1.º e do 2.º anel, adjudicadas por 5 968 000$00, regista-se um saldo de 2 078 400$48 e assinala-se a entrada no Clube de 9 327 sacos de cimento, correspondendo a 467 toneladas. Em Outubro de 1954, foi criada a campanha "O Último Impulso - Quem não deu que dê agora, quem já deu que torne a dar". O slogan serviu para incentivar os donativos em dinheiro e cimento que se prolongaram para lá da inauguração do estádio, permitindo a Joaquim Bogalho, tal como era seu desejo, pagar o estádio - no valor de 12 037 683$65 - quando deixou o cargo de presidente da direcção, após as eleições de 30/03/1957.



Finalmente, às 11 horas do dia 1 de Dezembro de 1954, o emocionado líder do Clube, e maior responsável pela passagem do sonho à realidade, Joaquim Ferreira Bogalho, abre simbolicamente uma das portas de acesso ao Estádio, inaugurando um dos mais belos recintos desportivos do mundo. O Recinto viria a acompanhar o futuro crescimento desportivo e associativo do Clube. Originalmente com "dois anéis", sem iluminação e isolado, seria mais tarde dotado de torres de iluminação (1958), de um 3º anel construído em duas fases (1960 e 1985, permitindo aumentar a sua lotação para 70 000 e 120 000 pessoas, respectivamente) e de inúmeras infraestruturas desportivas à sua volta. A 04/01/1987, por ocasião da 15.ª jornada do Campeonato Nacional de 1986/87, frente ao FC Porto, o Estádio da Luz registaria a maior assistência de sempre: 135 000 pessoas!



A importância da nova casa, onde o Benfica dispunha pela primeira vez na sua história de um campo relvado revelou-se logo na época da sua inauguração, com a conquista do título de Campeão Nacional, que escapava desde 1950. Muitos clubes passaram então a sentir o "efeito Luz", saindo, com frequência, goleados do majestoso reduto. Que o digam alguns dos mais reputados emblemas do futebol internacional, que sucumbiram, em jogos da Taça dos Campeões, ao efeito terrível da "Catedral": 6-2 ao Ujpest da Hungria (06/11/1960), 5-1 ao Áustria de Viena (08/11/1961), 6-0 ao campeão alemão, FK Nuremberga (22/02/1962), e 5-1 ao finalista europeu de 1964, o Real Madrid (24/02/1965). Em jogos com clubes portugueses, os exemplos são igualmente vastos: 9-0 ao Boavista, para o Nacional (07/02/1960), 6-0 ao FC Porto, para a Taça (30/04/1972), 5-0 ao Sporting, para o Nacional (19/11/1978) e 8-0 ao Belenenses, para o Nacional (30/03/1980).



Entre outros, foi também na Luz que o Benfica comemorou 23 (2 "bis" e 4 "tris" pelo meio) dos seus 30 títulos de Campeão Nacional, o apuramento para 23 finais da Taça de Portugal (tendo 16 resultado na obtenção do troféu), 7 passagens à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e a disputa da 2.ª mão da final da Taça UEFA, em 18/05/1983. Tendo como referência a vitória 2700 do Clube (curiosamente, 2300 com adversários portugueses), registada em 12/01/2002, data em que o Benfica defrontou, para o Nacional de 2001/2002, o Varzim SC (3-2), já se tinham jogado, até essa data, 1068 jogos no Estádio da Luz, desde a sua inauguração em 01/12/1954. A vitória 400 com adversários estrangeiros foi, também, conseguida no nosso Estádio, a 05/08/2001.



No total de 1075 jogos realizados, o Benfica somou 846 vitórias, 167 empates e apenas 62 derrotas, tendo marcado 3121 golos e sofrido 692. Entre 02/03/1969 e 18/12/1973, o Benfica registou a espantosa marca de 91 jogos consecutivos sem perder, com 80 vitórias e 11 empates. De assinalar, também, o registo fantástico de 37 vitórias consecutivas, alcançadas entre 01/12/1979 e 22/04/1981.



Em breve, a velha Luz irá "apagar-se", sacrificada ao Euro/2004. Mas o universo do futebol jamais esquecerá aquele que é carinhosamente conhecido no mundo por "Stadium of Light", um Estádio onde se disputaram alguns dos melhores jogos de futebol realizados na 2.ª metade do séc. XX.



(nota: O actual Estádio da Luz foi inaugurado a 25 de Outubro de 2003)







‡ Curiosidades, Dados Estatísticos e Marcos Históricos ‡




Nome: Estádio do Sport Lisboa e Benfica (popularmente conhecido por Estádio da Luz)



Localização: Benfica (S. Domingos) - terrenos à direita da Azinhaga da Fonte, que liga o Calhariz de Benfica ao Largo da Luz, em Carnide

Datas de posse: 6 de Novembro de 1952

Superfície aproximada em 1954:  122 000 m2
Superfície aproximada em 1970:  180 000 m2
Superfície aproximada em 1981:  210 000 m2
Superfície aproximada em 1998:  260 000 m2



Situação Actual: Parque de Estacionamento, a norte da Estação de Metropolitano do Campo Grande



Tipo de Propriedade: Propriedade Privada



Valor aproximado:
- Custo dos Terrenos (aluguer em 1954) 5.000$00 / mês
- Custo dos Terrenos (compra a 21/10/1969) 3.216.000$00
- Custo das Terraplanagens 840.000$00
- Custo das Drenagens e Arrelvamentos 739.880$00
- Custo das Fundações 542.330$00
- Custo da Construção (2 anéis) 5.968.000$00
CUSTO TOTAL (1956) 12.037.683$00
- Custo das Torres de Iluminação (1958) 4.135.464$65
- Custo do 3.º anel (1960) 15.815.947$50
- Custo do Fecho do 3.º anel (1985) 521.673.020$10





Alguns dos resultados mais expressivos:



07/02/1960 - Vitória de 9-0 sobre o Boavista FC para o Campeonato Nacional da I Divisão
06/11/1960 - Vitória de 6-2 sobre o Ujpest (Hungria) para a Taça dos Clubes Campeões Europeus (1/8 final, 1.ª mão)
08/11/1961 - Vitória de 5-1 sobre FK Áustria de Viena para a Taça dos Clubes Campeões Europeus (1/8 final, 2.ª mão)
22/02/1962 - Vitória de 6-0 sobre o FC Nuremberga (Alemanha) para a Taça dos Clubes Campeões Europeus (1/4 final, 2.ª mão)
24/02/1965 - Vitória de 5-1 sobre o Real Madrid (Espanha) para a Taça dos Clubes Campeões Europeus (1/4 final, 1.ª mão)

06/10/1965 - Vitória de 10-0 sobre o Stade Dudelange (Luxemburgo) para a Taça dos Clubes Campeões Europeus (1/16 final, 2.ª mão)
Obs.: Constitui, em conjunto com o resultado da 1.ª mão (8-0), o melhor resultado de sempre alcançado por um clube europeu nas competições europeias em duas mãos: 18-0 (Record Absoluto).

30/04/1972 - Vitória de 6-0 sobre o FC Porto para a Taça de Portugal (meia final)
19/11/1978 - Vitória de 5-0 sobre o Sporting CP para o Campeonato Nacional da I Divisão
30/03/1980 - Vitória de 8-0 sobre o Belenenses para o Campeonato Nacional da I Divisão

11/01/1989 - Vitória de 14-1 sobre o Riachense para a Taça de Portugal (1/16 final)
Obs.: O melhor resultado de sempre de um clube na Taça de Portugal (Record Absoluto).




Curiosidades:

Data da Inauguração e 1.º jogo: 01/12/1954 - contra o FC Porto
Maior assistência: 135.000 pessoas (04/01/1987, contra o FC Porto para o Campeonato Nacional da I Divisão)
Resultados Totais (de 01/12/1954 a 28/04/2002): Total de 1075 jogos. 846 vitorias, 167 empates, 62 derrotas, 3121 golos marcados e 692 golos sofridos
Outras Instalações:
- Pavilhão dos Desportos (15/05/1965)
- Campo 2 (pelado em 1968; relvado em 1974; sintético em 1997)
- Campo 3 (relvado em 17/10/1973)
- Pista de Atletismo (18/05/1974)
- Campo 4 (pelado em 1975; reorientado em 1978; relvado em 1989)
- 8 Courts de Ténis (28/12/1975)
- Piscina (23/09/1978)
- Pavilhão Polivalente (28/02/1982)
- 3 Courts de Ténis (1983)
- Tanque de Aprendizagem de natação (30/12/1985)
Motivo do Abandono: Demolição para construção do actual novo Estádio com vista à realização do Euro 2004.



 

domingo, 11 de julho de 2010

História dos Estádios: Capítulo VII


História dos Estádios:
Capítulo VII - Estádio do Campo Grande (1941 - 1954)

No Campo Grande, espaço desportivo muito antigo em Lisboa, teve o Benfica grandes tardes de glória. Foi também neste campo que fizeram as suas festas de despedida grande parte dos futebolistas que reforçaram a mística do Benfica nos anos 30 e 40. Em finais de 1939, o presidente da Direcção foi chamado ao Ministério das Obras Públicas, sendo informado pelo Ministro Eng.º Duarte Pacheco que os três clubes de Lisboa - Benfica, Belenenses e Sporting - teriam de abandonar os seus campos, para se instalarem no Parque Florestal de Monsanto, onde a Câmara Municipal de Lisboa (CML) faria construir três estádios. Acrescentou o ministro que o Benfica seria o primeiro clube atingido, devido às obras da auto-estrada.



Entretanto, em contacto com a CML, a Direcção do Benfica foi informada de que o Clube ficaria provisoriamente instalado no Campo Grande, cedido pela renda mensal de 600$00 (valor que o Benfica conseguiria reduzir para 550$00). Como era habitual, o Benfica dispunha de pouco dinheiro para realizar as obras de adaptação dum espaço desportivo que há muito estava desactivado e que nunca chegara a ter grandes condições. Depois de lutar por uma indemnização justa, em face da sua saída involuntária das Amoreiras, a direcção do Benfica conseguiu que esta passasse de 600 para 800 contos (note-se que o Estádio das Amoreiras representou 2 000 contos de investimento em 15 anos de utilização).



A CML comprometeu-se a pagar 400 contos no acto da escritura e o restante o mais breve possível, mas nunca excedendo o ano de 1940. A edilidade comprometeu-se, ainda, a dar prioridade ao Benfica na escolha do campo no Parque de Monsanto. O Benfica recebeu 800 contos de indemnização para abandonar o Estádio das Amoreiras, mas teve de pagar dívidas (ainda referentes aos empréstimos para a sua construção), ficando apenas com 500. Não se podia, pois, pensar em grandes obras, mas sim em dotar o estádio de condições aceitáveis. Sem muito terreno disponível e sem recursos amplos não se podia pensar mum projecto grandioso. Havia que conciliar a necessidade de remodelação do espaço com o dinheiro disponível.



As obras iniciaram-se em 1940 e foram acompanhadas com interesse por toda a massa associativa do Clube. O Campo Grande encontrava-se desactivado desde 1937, após ter sido abandonado pelo Sporting, que alugou nesse ano o estádio do Lumiar (hoje Estádio José Alvalade, submetido a grandes obras em 1947 e em 1956). Mas a utilização do espaço como campo de futebol remonta a 13/10/1912, dia em que foi inaugurado pelo então clube proprietário, o Lisboa FC, rival do Sporting e que arrendou a Quinta do Palácio Canas para aí construir o seu campo atlético. Para inaugurar o campo, deslocou-se, nesse dia, ao Continente, pela primeira vez, o CS Marítimo, do Funchal, que venceu o desafio por 3-0.



Em 1913, José de Alvalade, em litígio com o Sporting, do qual se viria a afastar em 1916, decide ampliar o "Stadium de Lisboa" (seria inaugurado a 28/06/1914), fazendo demolir a tribuna do campo do Sporting (situado mais a norte e que nesta época se chamava Sítio das Mouras, mas que quando foi reactivado, nos anos 30, se passou a chamar Lumiar-A) para retirar materiais para a nova construção, inutilizando o campo. Este acto não agradou aos dirigentes do clube leonino, mas como o Sporting não era proprietário do espaço, que pertencia ao Visconde de Alvalade, avô de José de Alvalade, foi obrigado a aceitar a resolução.



A Direcção do Sporting decidiu, então, entrar em conversações com o senhorio do espaço onde se situava o campo do Lisboa FC, cobrindo a proposta deste clube. O Sporting mudou-se, assim, para o Campo Grande, fazendo obras de melhoramento no local e conduzindo à extinção o Lisboa FC, que, sem campo, se viu obrigado a juntar-se ao SC Império (proprietário do campo de Palhavã), formando-se, então, o Império Lisboa Clube. Sob a tutela do Sporting, o recinto (inaugurado em 01/04/1917, num jogo com o Benfica que resultou em 0-0) passou a ser conhecido por Campo Grande 412, e, mais tarde, após a Revolução de 28 de Maio de 1926, que implantou a Ditadura Militar e depois o Estado Novo, o Campo Grande passou a ser designado de Campo 28 de Maio.



O Sporting utilizou este espaço desportivo durante 20 anos. Em 1937 arrendou o Estádio do Lumiar (antigo Stadium de Lisboa), abandonando o Campo Grande. Ou seja, quando o Benfica iniciou as obras de reconstrução do Campo Grande, este estava desactivado há 3 anos. Enquanto estas duraram (1940/41), o Clube utilizou três estádios para receber os adversários em jogos do Regional e do Nacional: 1 jogo nas Salésias (Belenenses), 5 jogos no Lumiar-A (Unidos FC) e 10 jogos no Lumiar (Sporting CP). Entretanto, O Benfica consegue fazer um "trabalho de formiga", levantando bancadas de madeira em redor do campo - uma obra que chegou a parecer impossível.



Em 05/10/1941, quando é inaugurado, o Campo Grande causa estupefacção. Como era possível fazer um estádio daqueles num espaço que fora abandonado pelo Sporting por, alegadamente, não possuir condições! Mais: o Campo Grande estava, até, melhor do que o Estádio do Lumiar, para onde se mudara o Sporting, 4 anos antes! No jogo inaugural o Benfica venceu o Sporting, por 3-2. O Clube conseguiu ainda alugar um espaço adjacente, inaugurando, a 01/12/1946, uma Pista de Atletismo em cinza e um segundo campo atlético para jogarem outras categorias e para se praticarem outras modalidades (Râguebi, Hóquei em Campo e Andebol de Onze). O complexo foi, também, dotado de um Campo de Basquetebol, de um "Court" de Ténis e de uma Carreira de Tiro.



Dos 2 hectares disponíveis em 1941, o Benfica passou a dispor, em 1946, de 5 hectares alugados. Mas o espectro da precariedade pairou sempre sobre o Campo Grande, alcunhado de "Estância de Madeira". Alguns adeptos queixavam-se de que o estádio gerava custos dispendiosos, obrigando o Clube a investimentos avultados (1 227 410$70 entre 1940 e 1944) quando o terreno nem sequer era pertença sua. Em Março de 1944, tendo reservado dinheiro para obras de conservação das bancadas, que se encontravam em estado de grande degradação, o Benfica foi informado pela CML que o Município estava a estudar a localização de novos terrenos para instalar o Clube. Foi decidido, então, não se aplicar o dinheiro em obras de conservação do Campo Grande, já que a utilização provisória do mesmo não justificava investimentos.



Após alguma indefinição por parte da CML, que indicava terrenos que não serviam as aspirações do Clube por serem muito caros, de topografia pouco adequada a um campo desportivo ou pela sua pequena dimensão (caso do espaço oferecido na Avenida Alferes Malheiro - hoje Avenida do Brasil -, mais tarde ocupado pelo LNEC). Em 1946, o Benfica conseguiu uma proposta para regressar à área de Benfica. Em causa estavam uns terrenos perto da Quinta da Luz. Mas o Clube havia de manter-se no Campo Grande por mais alguns anos, fazendo pequenas (mas, por vezes, dispendiosas) obras de conservação. Finalmente, em 18/04/1954, a categoria de honra fez, frente ao Atlético CP, o último jogo no Campo Grande, integrado na festa "Pró-Estádio", iniciativa que visava obter receitas para o novo parque desportivo (apelidado, nas primeiras épocas, de Estádio de Carnide, antes de adoptar o predicativo da Luz).



O Benfica cumpriu 13 temporadas no Campo Grande, onde somou 214 jogos, 176 vitórias, 17 empates, 21 derrotas, 888 golos marcados e 275 sofridos. Não faltaram, também, grandes goleadas: 12-2 ao FC Porto (07/02/1943), 7-2 ao Sporting (28/04/1946) 13-1 à Sanjoanense (27/04/1947) - ainda hoje o melhor resultado no Nacional - e 9-0 ao V. Setúbal (07/02/1954), todas elas a contar para Campeonato Nacional da I Divisão. Em bom número se contam, igualmente, as festas de despedida: Valadas (01/12/44), Albino (13/05/45), Gaspar Pinto (08/09/46), Martins (31/08/47), Espírito Santo (08/12/1949), Julinho (10/06/1953) e Moreira (08/12/1953).



E foi durante a permanência no Campo Grande que o Benfica conquistou, no Estádio Nacional (1949/50), um dos troféus mais emblemáticos da sua história: a Taça Latina. Para além deste, foram vários os êxitos alcançados neste período, com destaque para 4 Campeonatos Nacionais e 6 Taças de Portugal. No Campo Grande, o Benfica concretizou, também, outros registos espantosos, entre os quais o de 21 vitórias consecutivas e o de 47 jogos seguidos sem perder (apenas 2 empates). Após o futebol de honra ter abandonado as instalações, o Benfica continuou, ainda assim, a utilizar o espaço para treinos, jogos de outras categorias e de outras modalidades, deixando apenas para 1971 - após 30 anos de utilização (para jogos oficiais da categoria de Honra apenas durante 14 temporadas) - o adeus definitivo ao Campo Grande.



Determinante para o abandono definitivo foi a justificação camarária de que seria necessário abrir uma avenida de acesso ao campo do Sporting. Pareceu, afinal, tratar-se de uma manobra engenhosa, já que o velho Campo Grande viria a servir, durante 26 anos (!), como campo de jogos de futebol do clube de Alvalade. Em cima do antigo peão foi construído um edifício, designado de Pavilhão. Actualmente, o espaço encontra-se ocupado por um parque de estacionamento, a norte da Estação do Campo Grande, da rede do Metropolitano de Lisboa.



O Campo Grande ficou na história como um dos espaços desportivos mais antigo da Cidade, utilizado quase ininterruptamente entre 1912 e 1997 (pelo Benfica, entre 1941 e 1971). Aí conheceu o Benfica grandes tardes de glória, entre 1941 e 1954, numa altura em que alguns dos jogadores se transportavam no eléctrico que ligava os Restauradores ao Lumiar, em dias de jogos e de multidões. Seguindo entre os espectadores, chegavam ao campo atrasados devido ao excesso de trânsito, acabando por ter de correr a caminho dos balneários!...



‡ Curiosidades, Dados Estatísticos e Marcos Históricos ‡

Nome: Estádio do Campo Grande

Localização: No topo norte do Campo 28 de Maio (Campo Grande, 412), junto à Estrada de Telheiras e a sul do Estádio do Lumiar

Datas de posse: de 1941 a 1954

Superfície aproximada da área: 2 Hectares em 1941 e 5 Hectares a partir de 1946

Situação Actual: Parque de Estacionamento, a norte da Estação de Metropolitano do Campo Grande

Tipo de Propriedade: Terreno cedido pela Câmara Municipal de Lisboa pela renda mensal de 550$00 (1941) até 1300$00 (entre 1944 e 1954)

Valor aproximado: Custos do arranjo do piso e construção de bancadas de 1.227.410$70, entre 1941 e 1954


Alguns dos resultados mais expressivos:

07/02/1943 - Vitória de 12-2 sobre o FC Porto
Obs.: Goleada para o Campeonato Nacional.
28/04/1946 - Vitória de 7-2 sobre o Sporting CP
Obs.: Goleada para o Campeonato Nacional.
27/04/1947 - Vitória 13-1 sobre a AD Sanjoanense
Obs.: Maior Goleada de Sempre de um clube no Camponato Nacional.
07/02/1954 - Vitória 9-0 sobre o Vitória FC (Vitória de Setúbal)
Obs.: Goleada para o campeonato nacional.

 

Curiosidades:



Data da Inauguração e 1.º jogo: 05/10/1941, contra o Sporting
Data do último jogo: 18/04/1954, contra o Atlético CP
Maior assistência: 25.000 pessoas
Outras Instalações: Campo de Basquetebol, "Court" de Ténis, Pista de Atletismo e 2.º campo atlético (01/12/1946), Carreira de Tiro.
Motivo do Abandono: Degradação, falta de condições para os associados e espaço exíguo para o crescimento desportivo e associativo do clube.



 

domingo, 20 de junho de 2010

História dos Estádios: Capítulo VI


História dos Estádios:
Capítulo VI - Estádio das Amoreiras (1925 - 1940)

O Estádio das Amoreiras foi a concretização de um sonho de 20 anos, que permitiu ao Benfica ter finalmente um "poiso certo". Quando a Escola Normal começou a exigir, em 1920, a utilização dos terrenos da Quinta de Marrocos (local onde se situava o velho campo de Benfica), o Clube iniciou contactos para conseguir um espaço onde pudesse construir um campo atlético. Em 10/04/1921, uma vez mais por intermédio de Cosme Damião, o Benfica conseguiu um terreno onde se podiam erguer novas instalações desportivas. A Direcção nomeada em 10/09/1921 teve tarefa de grande envergadura na preparação da transferência do parque de jogos para o terreno onde o Benfica havia de erguer uma obra notável para a época, embora não tivesse chegado a ficar concluída por completo - o Estádio das Amoreiras.

Houve que preparar tudo: plano (em face das necessidades impostas pelo eclectismo desportivo), projecto, estimativas e... dinheiro! Tudo isto constituiu um processo complicado. Mas serviu, uma vez mais, para demonstrar o entusiasmo que o Benfica sempre empregou nas suas campanhas. A Direcção projectou uma obra grandiosa, destinada ao futuro. O grande objectivo era conseguir pela primeira vez, no seio do Clube (que comemorara, em 28.2.1921, o 17.º aniversário), um espaço desportivo definitivo, isto é, que, de uma vez por todas, lhe pertencesse.

Mas para concretizar o sonho era indispensável arranjar dinheiro, tendo em conta o desejo de tudo ser feito com recursos próprios, à custa de espírito de sacrifício e de muito entusiasmo. Levou dois anos a preparar o "projecto" em que assentou a aquisição dos terrenos das Amoreiras e a construção do novo parque de jogos. A Assembleia Geral realizada em 04/02/1923 foi uma das mais importantes na nossa história. A Direcção foi autorizada a realizar a emissão de 12 000 Obrigações hipotecárias, no valor de 1 200 contos, e de 5 000 Títulos de Propriedade, no valor individual de 200$00 (perfazendo, no total, 1 000 contos), para a construção do Estádio das Amoreiras e para a aquisição de terreno destinado a esse complexo. A compra do terreno, em excelentes condições de localização e preço, foi efectuada com a intervenção de Cosme Damião, que agregava, em simultâneo, as funções de vice-presidente da direcção do Clube e de empregado superior da Casa Palmela, proprietária dos terrenos.



À transacção, seguiu-se a campanha de lançamento de Obrigações e Títulos de Propriedade. Foi uma obra larga de tenacidade e de entusiasmo. O custo do terreno foi de 451 077$50. As obras iniciaram-se em Outubro de 1923. Seguiu-se a construção do Estádio, tendo a direcção contraído um empréstimo de 200 contos, destinado a acelerar o andamento das obras. Até 30/06/1924, os custos estimavam-se em 534 504$80. Um ano depois, em 30/06/1925, os valores eram já de 947 462$37. Finalmente, após mais de dois anos de trabalho esgotante, em que foi necessário as direcções fazerem um esforço gigantesco (e os associados corresponderem), o Benfica inaugurou, a 13/12/1925, um magnífico estádio, perante o testemunho de cerca de 15 000 pessoas. O sonho tornava-se realidade!

Depois do Estádio inaugurado, a Direcção foi viu-se forçada, em 25/04/1926, a contrair novo empréstimo, agora de 100 contos. Com as instalações das Amoreiras gastou-se, até 30/06/1926, 1 480 666$60, incluindo o custo do terreno. O projecto contemplava, também, uma sede junto ao estádio, plano que nunca chegou a concretizar-se! Mas foi nas Amoreiras que o Benfica ressurgiu com a força que lhe iria permitir reencontrar os grandes êxitos. Em termos associativos, o clube possuía agora mais um núcleo na cidade, captando simpatias acrescidas numa área importante de Lisboa: Amoreiras/Campolide/Campo de Ourique. Iniciava-se, assim, um "triângulo vermelho" na Capital, com vértices em Benfica (sede), Baixa (secretaria) e Amoreiras (estádio).

Por ocasião da festa comemorativa das "Bodas de Prata" do SLB, realizada no Estádio das Amoreiras, em 31/03/1929, efectuou-se uma grande parada atlética, com a participação de meio milhar de atletas de todas as modalidades, incluindo de algumas filiais. Pelo terreno das Amoreiras passou o que havia de melhor, ou de mais prometedor, entre os inúmeros atletas do Clube, que desfilaram perante as bancadas cheias de público. A repercussão no universo benfiquista e na imprensa foi tal que daí em diante, no rectângulo de jogo das Amoreiras, se passou a realizar, anualmente, uma grande parada atlética.



Foi durante a permanência nas Amoreiras que o Benfica conquistou os primeiros títulos nacionais: 3 Campeonatos de Portugal (a prova que antecedeu a Taça de Portugal) e o tri-campeonato da I Liga (35/36, 36/37 e 37/38) - competição que depois se viria a designar de I Divisão e, mais tarde (já nos anos 90), novamente de I Liga. Durante este período (1925-1940), o Benfica conquistou ainda uma Taça de Portugal e dois Campeonatos Regionais. Houve grandes jogos nas Amoreiras, com destaque (além da já referida vitória sobre o Ferencvaros), para o 13-1 ao Casa Pia (no Regional de Lisboa), o 6-0 ao FC Porto (na 2.ª mão das ½ finais da Taça de Portugal, recuperando(!) de uma derrota de 1-6 na 1.ª mão), e a vitória por 5-0 sobre Sporting, que permitiu a conquista do 10.º regional de Lisboa, em 39/40. Nas Amoreiras, conseguiu o Benfica 2 séries de 14 vitórias consecutivas e uma série de 25 jogos sem perder. Efectuaram-se neste campo 238 jogos, de que resultaram 164 vitórias, 33 empates, 41 derrotas e 812-343 em golos.



As Amoreiras foram sempre tratadas com o maior carinho pelos benfiquistas. Em 1936, chegou a pensar-se na conclusão do projecto que consistia no melhoramento e aumento das bancadas para 20 000 pessoas, bem como na construção de uma piscina. Junto ao campo de jogos, existia o campo de basquetebol e dois "courts" de ténis. No Verão de 1937, fizeram-se obras para melhorar o piso e facilitar o sistema de drenagem. Em 1939, porém, começam as preocupações com o estádio das Amoreiras: a Direcção do clube é informada de que o ministro Eng.º Duarte Pacheco não prescinde de promover rapidamente a construção de uma auto-estrada pelo traçado escolhido (que implica a inutilização da bancada do peão) e do propósito de atirar os campos desportivos para fora do perímetro interno da cidade. O Benfica tinha, então, de sair das Amoreiras e, provisoriamente, instalar-se no Campo Grande, enquanto a Câmara Municipal de Lisboa não construísse três estádios no Parque Florestal de Monsanto para os três principais clubes da capital.



A indemnização oferecida ao Benfica foi de 600 contos, valor que este contestou, conseguindo elevar o montante em cerca de 33 por cento (800 contos). Foi já sob o estigma do abandono que o Benfica promoveu, nas Amoreiras, em 23/07/1939, um grande almoço de homenagem aos campeões do Clube. Em 1940, dois momentos marcaram a despedida deste Campo: a festa comemorativa do 36.º aniversário (realizada no dia 7 de Abril) e que significou o adeus ao Campo; e a disputa do último jogo (23 de Junho) - um encontro a contar para a 1.ª Mão das meias-finais na Taça de Portugal, com o Barreirense (vitória do Benfica, por 5-2).



Actualmente, nos terrenos onde esteve o campo e instalações desportivas está o Liceu Francês e a Avenida Eng.º Duarte Pacheco. Em finais de 1940, o Benfica abandonou as Amoreiras, deixando no local apenas uma delegação. Afinal, o sonho de ter campo privado tornara-se realidade somente durante algum tempo. Após 15 anos de morada fixa, o Benfica regressava a um campo provisório, sendo "obrigado" a arrendar um espaço à CML. Para trás ficava o mítico Estádio das Amoreiras, local onde a mística muito se reforçou.



Os primeiros anos foram de consolidação e, em 1929, dois acontecimentos marcaram as Amoreiras, o Benfica e o desporto português: a visita da consagrada equipa húngara do Ferencvaros, considerada uma das melhores da Europa (nas habituais digressões pelo continente europeu "arrasava" os adversários, incluindo em Portugal, onde goleara já alguns dos melhores clubes portugueses - Sporting e Belenenses, pelo mesmo resultado: 6-0). Em 06/01/1929, perante uma multidão que constituiu "record" de receita em jogos realizados no nosso País, o Benfica venceu o Ferencvaros por 1-0 (considerado, durante muitos anos, o "melhor resultado do futebol português" - é que, depois, os húngaros ainda venceram, mesmo após viagens extenuantes, o V. Setúbal, por 4-1, e o FC Porto, por 5-3). O resultado reavivou os grandes feitos do Benfica em jogos com emblemas internacionais.



 
‡ Curiosidades, Dados Estatísticos e Marcos Históricos ‡



Nome: Estádio das Amoreiras

Localização: Em Campolide, no troço Norte (lado esquerdo) da Rua das Amoreiras. Confinava a Sul com as instalações da Carris, a Norte com as traseiras dos prédios da Rua do Arco do Carvalhão, a Este com a Rua das Amoreiras, onde estava a entrada, no n.º 135, e a Oeste com o Aqueduto das Águas Livres

Datas de posse: Entre 04/02/1923 e finais de 1940



Tipo de Propriedade: Propriedade do Clube



Situação Actual: Instalações do Liceu Francês e Av. Eng.º Duarte Pacheco, entre o Liceu Francês e o Centro Comercial Amoreiras



Superfície aproximada da área: 19.500 m2



Valor aproximado: 1.480.666$60 (incluindo o custo do terreno, de 451.077$50)



Resultados Totais:
Total de 238 jogos. 164 vitórias, 33 empates e 41 derrotas; 812 golos marcados e 343 golos sofridos.




Alguns dos resultados mais expressivos:



06/01/1929 - Vitória de 1-0 sobre o Ferencvaros TC (Hungria)
Obs.: O Benfica foi o único clube vencedor dos húngaros, que na sua digressão por terras lusas golearam todos os melhores clubes portugueses.
05/12/1937 - Vitória de 13-1 sobre o Casa Pia AC
Obs.: Conquista do 10.º título de Campeão Regional
03/02/1939 - Vitória 5-0 sobre o Sporting CP
18/06/1939 - Vitória de 6-0 sobre o FC Porto

 

Curiosidades:



Data da Inauguração e 1.º jogo: 13/12/1925, num jogo para o Regional de Lisboa, com o Casa Pia AC.
Data do último jogo: 23/06/1940, para a Taça de Portugal, com o CF Barreirense
Maior assistência: 15.000 pessoas
Outras Instalações: Dois "courts" de Ténis e Campo de basquetebol
Motivo do Abandono: Expropriação pelo Ministério das Obras Públicas, para a construção da auto-estrada de acesso ao Viaduto de Monsanto, actualmente com o nome do Ministro Eng.º Duarte Pacheco (indemnização de 800.000$00)


 

sábado, 19 de junho de 2010

História dos Estádios: Capítulo V


História dos Estádios:
Capítulo V - Campo de Benfica (1917 a 1926)



A utilização do campo de Benfica coincide com uma fase de crescimento do Clube em termos sociais e associativos, mas não como se desejaria sob o ponto de vista desportivo, com o Benfica a realizar, nos anos 20, uma das prestações menos positivas da sua história. Após a absorção dos Desportos de Benfica, em 17/09/1916, o Clube passou a utilizar como sede as instalações da Avenida Gomes Pereira, em cujas traseiras existia um campo atlético (na Quinta de Marrocos), onde se praticava futebol desde 1914 e que era utilizado por alguns clubes de Lisboa que não possuíam campo próprio, tal como o GS Cruz Quebrada. Após a absorção, o Benfica celebrou com a Empresa dos Melhoramentos de Benfica (EMB) - proprietária dos terrenos onde se situava o campo - um contrato anual de arrendamento, no valor de 840$00, pago em mensalidades adiantadas de 70$00.



A direcção deliberou, então, utilizar em exclusividade o campo de Benfica, decidindo-se pelo abandono das instalações de Sete Rios. Para oferecer melhores condições aos espectadores, oficiou à EMB, propondo-lhe que, apesar de as obras a executar (ampliação das bancadas e melhoria da segurança) serem da responsabilidade dessa empresa, estas fossem efectuadas pela direcção do Clube, mas descontando a quantia despendida para o efeito na importância em dívida para com a EMB. Em resposta, esta alegou serem demasiado pesados os seus encargos, não podendo, por isso, aceder por inteiro ao pretendido, prontificando-se, todavia, a comparticipar as obras em 200$00, a descontar nas últimas prestações do débito dos Desportos de Benfica.

Feito o acordo, inaugurou-se, em 11/11/1917, o já remodelado campo de Benfica, com um encontro frente ao Sporting, em que esteve em disputa a "Taça Cosme Damião". O recinto conservava a antiga disposição (paralelo à Avenida Gomes Pereira); possuía uma vedação melhorada; as bancadas, que antes eram paralelas às linhas do campo, ficavam agora em ângulo; na parte superior do vestiário, havia sido construída uma estrutura para albergar público, que dominava por completo todo o campo; o espaço era mais amplo e desafogado, ao nível do melhor que podia haver em Lisboa.

O complexo era guarnecido de duas entradas separadas: uma pela porta principal da sede, na Avenida Gomes Pereira (destinada ao público dos lugares reservados), e a outra (reservada ao público do peão) pelo portão que dava para a Estrada de Benfica. E tão bem instalado ficou que serviu para as iniciativas desportivas mais diversas. Todavia, o Benfica não iria ficar por muito tempo neste campo. É que tudo o que aí arrendara viria a ser vendido ao Ministério da Instrução (hoje Ministério da Educação), para servir a Escola Normal de Lisboa (mais tarde Magistério Primário e hoje Faculdade de Ciências da Educação).



Em 25/03/1919, o Benfica conseguiu um contrato de arrendamento que lhe permitiu continuar a usar as instalações. Em troca, porém, foi obrigado a ceder espaços aos alunos e professores da Escola Normal. Graças ao espírito de iniciativa do Clube, o campo de Benfica foi palco do primeiro jogo nocturno realizado em Portugal. Colocaram-se, em redor do recinto, 18 reflectores de 1000 velas, instalando-se, nos camarotes e nas bancadas, um número elevado de lâmpadas encarnadas e brancas, colocadas alternadamente, de modo a produzir um excelente efeito de conjunto. O jogo realizou-se em 10/09/1919 (uma quarta-feira) e colocou frente a frente o Benfica e uma equipa mista, composta por jogadores do Império, do Internacional e do V. Setúbal.



O problema dos terrenos e das relações entre a Direcção do Clube e a Direcção da Escola agravou-se mais tarde, no início dos anos 20. Numa reunião de Direcção, realizada em 10/04/1921, foi aprovada uma proposta de Cosme Damião para a mudança da colectividade, de Benfica para as Amoreiras. O Benfica procurava, no entanto, manter o espaço para outras modalidades, caso do hóquei em campo. A Escola Normal, em reunião de 03/10/1921, não exigiu a saída imediata, permitindo que o Benfica continuasse a usufruir dos direitos de inquilino (sede e campo). Por via dessa resolução, o Clube podia permanecer no campo de Benfica por mais algum tempo.



Os primeiros espaços desportivos a serem sacrificados foram os "courts" de ténis, tendo ficado apenas um, na sede. Mas, em 1923, o Benfica foi mesmo obrigado a abandonar o campo, porque se entendeu construir uma rua de ligação entre a Estrada de Benfica e a Estrada Nacional, atravessando o local onde se situava o campo (rua que só viria a ser constuída em... 1997(!), ou seja, 74 anos depois...). Em 1923/24, a falta de campos na cidade que oferecessem boas condições para jogar levou a que apenas fossem utilizados dois espaços desportivos no Regional: o Campo Grande (do Sporting) e o campo de Palhavã (do Império Lisboa Clube). Na época de 1924/25, o Benfica utilizou o campo de Palhavã para efectuar os seus jogos "em casa", enquanto não se encontravam concluídos os trabalhos no seu futuro reduto: o Estádio das Amoreiras.



No campo de Benfica, o nosso clube realizou 27 jogos, tendo somado 11 vitórias, 6 empates, 10 derrotas e um total de 56-45 em golos. Enquanto utilizou este espaço, o Benfica conquistou 2 Campeonatos Regionais (17/18 e 19/20), 2 Taças de Honra (19/20 e 21/22) e 1 Taça da Associação (21/22). O último jogo efectuou-se em 11/03/1923, para o Regional de Lisboa, com o Império LC (embora o campo tivesse continuado a ser utilizado até 1926, para treinos eactividades de outras modalidades. O Clube deixava, então, a área da cidade que lhe dera o nome definitivo. Só voltaria a Benfica em 1954, após 30 anos de permanência em outros pontos de Lisboa.




‡ Curiosidades, Dados Estatísticos e Marcos Históricos ‡



Nome: Campo de Benfica

Localização: Quinta de Marrocos, nas traseiras da sede na Av. Gomes Pereira (onde se fazia uma das duas entradas de que o campo dispunha (havia outra pela Estrada de Benfica)



Data da posse: Entre 17/09/1916 e 1926



Tipo de Propriedade: Terreno Alugado por 840$00/ano, pagos em mensalidades adiantadas de 70$00



Situação Actual: Escola Secundária da Quinta de Marrocos e traseiras do edifício da Junta de Freguesia de Benfica (ex-sede do SLB)

Superfície aproximada da área: 15 000 m2 + 15 000 m2 do edifício e outras instalações da sede



Resultados Totais (de 11/11/1917 a 11/03/1923):
Total de 27 jogos. 11 vitórias, 6 empates e 10 derrotas; 56 golos marcados e 45 golos sofridos





Alguns dos resultados mais expressivos:

20/04/1919 - Vitória de 4-0 sobre o Vitória FC (Setúbal)
29/02/1920 - Vitória de 12-1 sobre o Internacional (CIF) e conquista do 10.º título de Campeão Regional



 
Curiosidades:



Data da Inauguração e 1.º jogo: 11/11/1917, jogo com o Sporting (Taça Cosme Damião)

Data do último jogo: 11/03/1923, jogo como Império LC, para o Regional de Lisboa

Maior assistência: 10.000 pessoas

Outras Instalações: Junto ao campo situava-se a sede, um rinque de Hóquei em Patins e três "courts" de Ténis

Motivo do Abandono: Mudança de proprietário - utilização dos terrenos pela Escola Normal (Magistério Primário), depois de 25/03/1919


 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

História dos Estádios: Capítulo IV


História dos Estádios:
Capítulo IV - Campo de Sete Rios (1913 a 1917)

A ida do Benfica para Sete Rios determinou a conquista de novos adeptos noutra área da cidade, bem como a existência de espaço para introduzir no Clube novas modalidades: o Ténis, a Natação e o Pólo Aquático. Em 1908, quando se soube que não havia capacidade financeira para renovar o contrato de arrendamento na Quinta da Feiteira, os dirigentes encetaram diligências com vista à resolução do problema. Mas só em finais de 1912, muito por acção de Cosme Damião, foi possível alugar-se um terreno (por 250$00 anuais, pagos em duas prestações).

Este terreno, de nome Quinta Nova, pertencia à Casa Palmela, da qual Cosme Damião era o secretário. O Benfica mudava-se, então, para um local onde o futebol dominava, já que, na mesma área, existiam dois outros campos, ambos inaugurados com a participação do Benfica: o de Palhavã, propriedade do SC Império (inaugurado em 29/10/1911, com vitória do Benfica sobre o clube local, por 2-1) e o das Laranjeiras, pertença do Internacional (CIF) - inaugurado em 01/12/1911.

Para a aquisição e adaptação do terreno da Quinta Nova a campo de jogos, o Benfica fez uma subscrição aberta, no Clube, para angariação de fundos. Alugado o terreno (em 01/01/1913) - junto ao apeadeiro de Sete Rios, na linha de cintura interna dos caminhos-de-ferro (com entrada pela Estrada de Palhavã) -, iniciou-se, desde logo, o processo de preparação das obras, com a elaboração do projecto do campo (ainda sem incluir bancadas) e com a angariação de fundos especiais para fazer face à despesa extraordinária de limpeza e arranjo do terreno, tendo em vista a sua conversão em parque desportivo.

O entusiasmo era grande mas... o dinheiro escasseava. Era, por isso, necessário conciliar estas duas realidades - começar a trabalhar praticamente sem dinheiro e, na medida dos possíveis, procurá-lo com rapidez. Resolveu-se, assim, contar especialmente com o apoio dos benfiquistas, não só no fornecimento de mão de obra, mas, também, através duma subscrição de carácter voluntário, participando cada um conforme as suas posses. O entusiasmo nunca faltou. Mercê dele, foi possível iniciar as operações de arranjo do terreno, com o natural ensejo de o tornar melhor do que todos os que já existiam em Lisboa. O lema foi: "para a frente!". E poucos sócios faltaram à chamada.

Em pouco tempo, transformava-se um terreno agrícola num amplo espaço, com um piso preparado para dar lugar a um campo desportivo. A operação marcou uma fase de grande estímulo no seio do Clube, que alcançara já o estatuto de mais popular entre todas as agremiações desportivas portuguesas. Foi assinalável o esforço da massa associativa - por meio do que mais estava ao seu alcance (o trabalho ou, mesmo que pouco, o dinheiro). A circunstância deu origem a uma espécie de "febre colectiva". Directores, atletas, sócios contribuintes, ou apenas simpatizantes do nosso clube e das nossas equipas, todos se envolveram num grande esforço de cooperação.

Em certos domingos, quase não se parava ou descansava. De manhã, acarretavam-se pedras, arrancavam-se plantas e cortavam-se arbustos; depois seguia-se o almoço popular, de confraternização - geralmente uma "bacalhauzada" com batatas; mais tarde, se alguma das nossas equipas jogava, dava-se a desfilada para o terreno onde se efectuava o desafio; e por fim, no termo de mais uma jornada, extenuados mas sem desfalecimentos de ânimo, lançavam todos a uma só voz: "Viva o Benfica!".

Nas duas épocas que intercalaram a saída da Feiteira (1911) e a inauguração de Sete Rios (1913), o Benfica utilizou o campo de Palhavã (em 1911/12) e das Laranjeiras (em 1912/13) para realizar os seus jogos "em casa", a contar para o Campeonato Regional de Lisboa. E a verdade é que o uso de campo alheio não afectou o desempenho da equipa, que conquistou dois títulos durante o período em questão. Quando começaram os treinos de preparação para a época de 1913/14, já foi possível utilizar o campo de Sete-Rios. E foi com alegria e confiança que se aguardou a homologação por parte da Associação de Futebol de Lisboa (AFL).

Em 12/10/1913, perante cerca de 5 000 pessoas - número, na altura, muito pouco habitual em actividades desportivas -, a AFL abriu a época de 1913/14. No jogo mais importante, para o Regional de Lisboa, o Benfica recebeu e venceu o Sporting, por 4-0. O novo campo causou mesmo algum pasmo, pela celeridade da sua construção e pelo seu enquadramento: ao fundo do recinto de jogo, construíra-se um "chalé" de madeira, estrategicamente colocado junto a uma nora, onde o Benfica tinha as instalações de banhos e "toilette".

No sentido de facilitar e alargar a acção da colectividade, sentiu-se a necessidade de introduzir no novo campo todos os melhoramentos possíveis, em particular as bancadas (já antes pretendidas para a Quinta da Feiteira), com vista a oferecer melhores condições aos espectadores e aumentar os níveis de assistência. Para o financiamento, optou-se pela emissão de 150 títulos de empréstimo (no valor individual de 10$00), adquiridos pelos associados. Em 11/04/1915, após o embelezamento de todo o espaço, o Benfica, então com 11 anos de actividade, tinha finalmente um campo com bancadas!

Em 29 de Maio do mesmo ano, foi inaugurado o primeiro "court" de ténis, igualando-se outros clubes elitistas que gostavam de exibir o seu "lawn-tennis", com a particularidade de o espaço benfiquista ser de acesso a todos os associados. No ano seguinte, aproveitando o antigo tanque de regas, introduziu-se a natação e o polo-aquático no Clube! No futebol, o Benfica continuou a conquistar títulos e torneios, mostrando cada vez mais que era o melhor clube português - 3 títulos regionais (13/14, 15/16 e 16/17), um Torneio "Taça de Portugal" (13/14) e o Torneio Internacional "Quatro Cidades" (15/16) - este último com uma vitória sobre o FC Porto, por 9-0!

O Benfica conseguiu grandes resultados neste campo. Rubricou uma série de 13 triunfos consecutivos (59-10 em golos); no total dos 38 encontros que aí disputou, venceu 28, empatou 6 e perdeu outros 6; em matéria de golos, registou a excelente marca de 130 marcados e apenas 40 sofridos, com destaque para o facto de apenas ter ficado uma vez em branco (26/02/1916).

Em 17/09/1916, definiu-se com os Desportos de Benfica as bases para a junção de ambas as instituições, tendo ficado ressalvado que, apesar da sede da Avenida Gomes Pereira possuir um campo atlético (nas traseiras), continuar-se-ia com o campo de Sete Rios - por ser mais central - até se apurar se os encargos dessa manutenção poderiam, ou não, trazer vantagens. Sucedeu, todavia, que o senhorio, em 20 e 26/06/1917 (alguns meses antes de terminar o contrato de arrendamento), dirigiu duas cartas à direcção do Benfica, pedindo a indicação do local, dia e hora a que poderia ser recebido, com o objectivo de "combinar algumas alterações a fazer no contrato para novo período de arrendamento, a começar em 1 de Janeiro de 1918".

As alterações foram depois escritas nos seguintes termos: a renda anual passava a 650$00; as contribuições (mais de 40$00 por ano) ficavam a cargo do arrendatário; benfeitorias e obras efectuadas, ou a efectuar, fossem de que material fossem, seriam pertença do senhorio; o arrendatário ficaria obrigado a retirar, ou, pelo menos, espalhar uniformemente, por todo o terreno, caso o senhorio o desejasse, o entulho que se recebera no campo e que estava a formar a elevação do lado da geral; o contrato seria por três anos, sem que o arrendatário tivesse direito a indemnização no caso de o terreno, ou parte dele, ser expropriado pela Câmara Municipal.

Estas condições foram consideradas absolutamente inaceitáveis por todos os directores presentes na reunião de 13/08/1917. Em 31 de Dezembro do mesmo ano, a direcção decidiu, procurando resolver da melhor forma o problema que o senhorio criara, abandonar Sete-Rios e remediar-se com o campo de Benfica, depois de convenientemente adaptado. O último jogo realizou-se em 07/07/1917, com o V. Setúbal (V 3-2). O Benfica mudava-se, então, para a Quinta de Marrocos, nas traseiras da Avenida Gomes Pereira, onde possuía uma ampla sede desde 17/09/1916 (anteriores instalações dos Desportos de Benfica).

Actualmente, o espaço de Sete-Rios onde o nosso Clube jogou foi sacrificado à expansão urbana de Lisboa para norte, estando ocupado por prédios e respectivos quintais, no quarteirão delimitado pela rua Prof. Lima Basto (antiga Estrada de Palhavã), rua Dr. António Granjo, rua Dr. António Martins e linha de cintura interna dos caminhos-de-ferro, junto à estação de Sete-Rios. Após 4 temporadas de glória, o clube regressava novamente a Benfica, recolhendo os "frutos da semente" que por lá deixara, quando partira em 1911.



‡ Curiosidades, Dados Estatísticos e Marcos Históricos ‡

Nome: Campo de Sete Rios

Localização: Quinta Nova, junto ao apeadeiro de Sete Rios - na linha de cintura interna dos caminhos-de-ferro, com entrada pela Estrada de Palhavã

Situação Actual: Prédios e respectivos quintais no quarteirão delimitado pela Rua Prof. Lima Basto, Rua Dr. António Granjo, Rua Dr. António Martins e linha de cintura interna dos caminhos-de-ferro, junto à estação de Sete Rios

Tipo de Propriedade: Terreno alugado por 125 Escudos (125$00) por semestre

Superfície aproximada da área: 11.000 m2

Resultados Totais (de 12-10-1913 e 07-07-1917):
Total de 38 jogos. 26 vitórias, 6 empates e 6 derrotas; 130 golos marcados e 40 golos sofridos.



Alguns dos resultados mais expressivos:

12/10/1913 - Vitória de 4-0 sobre o Sporting CP na inauguração do Campo
01/01/1916 - Vitória de 8-0 sobre o FC Porto
27/02/1916 - Vitória de 7-0 sobre o Real Clube Fortuna de Vigo
25/02/1917 - Vitória de 9-0 sobre o Lisboa FC (7-0 ao intervalo)



Curiosidades:

Inauguração a 12-10-1913 num encontro frente ao Sporting, a contar para o Regional de Lisboa (4-0)

Data do último jogo a 07-07-1917: jogo amigável com o V. Setúbal

Maior Assistência: 10.000 pessoas

Em 29-05-1915: Inauguração do "court" de Lawn-Tenis

Em 1916: utilização do tanque de regas para praticar natação

Motivo do Abandono: As alterações ao contrato, a iniciar-se em 01/01/1908, foram consideradas "absolutamente inaceitáveis", sobretudo a passagem da renda anual para 650$00. Por outro lado, o clube possuía um terreno nas traseiras da sede, onde se jogava futebol oficialmente desde 1914.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

História dos Estádios: Capítulo III


História dos Estádios:
Capítulo III - Campo da Feiteira (1907 a 1911)

O Campo da Feiteira foi o primeiro campo atlético que pode considerar-se ter pertencido ao Benfica; onde o clube afirmou o seu nome e começou a movimentar multidões e a arrastá-las, também, para outros campos da região de Lisboa onde exibia o seu futebol.

Em 26-07-1906, foi fundado, em Benfica, o Grupo Sport de Benfica (GSB), especialmente virado para a prática de ciclismo e de atletismo. A festa inaugural deste clube teve lugar em 02-09-1906, com um "Festival" que incluiu provas velocipédicas, corridas e gincanas. As gincanas (corridas de fitas, negativas e de púcaros) realizaram-se na Quinta da Feiteira, amavelmente cedida pelo seu proprietário, o Exm.º Sr. César de Figueiredo.

Em 26-05-1907, o GSB tomou oficialmente posse do terreno na Quinta da Feiteira, paralelo à estrada de Benfica, passando, assim, a dispôr de um campo para festivais desportivos e jogos de futebol (com uma frente de 120 metros e uma largura de 79 metros), por 20 mil réis (20$00) por semestre. Inaugurou-se este campo em 14-07-1907 - acto integrado no programa comemorativo do 1.º aniversário da fundação do GSB. O espaço foi sofrendo ligeiros melhoramentos, principalmente o terreno de jogo, com o objectivo de o tornar aplanado e sem irregularidades.

O Grupo Sport Lisboa (GSL) - o SLB na sua fase embrionária - não tinha campo em Belém (zona onde nasceu), mas, como alguns dos seus associados eram também sócios do GSB, sabiam da existência do seu campo que, apesar da qualidade, não era utilizado para futebol. Assim, em 24-11-1907, o GSL actou pela 1.ª vez na Feiteira, embora ainda fosse considerado campo neutro. Nesse encontro, a contar para o Regional de Lisboa, venceu o Internacional (CIF), por 1-0.

Meses depois (em Março de 1908), o GSB muda o nome para Sport Clube de Benfica. Em 13-09-1908, após a absorção das estruturas do GSB (associados, dirigentes, sede e instalações desportivas), o "Glorioso" Sport Lisboa acrescenta Benfica ao nome, por influência do local para onde se transfere, passando, então, a designar-se de Sport Lisboa e Benfica (SLB) e a utilizar o campo da Quinta da Feiteira.

Em 04-11-1908, numa reunião de Direcção, foi resolvido contactar o proprietário, César de Figueiredo, com o objectivo de obter dele uma autorização para realização de obras, consideradas indispensáveis para melhorar as condições do espaço. Com o financiamento do presidente da Direcção, João José Pires, pretendia dotar-se o campo de bancadas e construir-se uma sede. E porque o arranjo deveria ser importante, pedir-se-ia, também, um contrato de arrendamento por um prazo mínimo de 10 anos.

O resultado desta diligência foi comunicado pelo próprio presidente da Direcção. O dono do terreno não faria o arrendamento por dez anos, devido ao facto de o terreno estar destinado, pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), a um parque. Mas, caso a CML não resolvesse, a curto prazo, dar início ao seu projecto, o sr. César de Figueiredo venderia o terreno (avaliado em 60 contos), para construção de casas. A confirmar-se ser esta a solução, o mesmo proprietário daria preferência ao clube, fazendo o arrendamento, a longo prazo, da parte do terreno onde se encontrava o campo, avaliado em 20 contos (20 milhões de réis!). Desta forma, a renda seria de 4 por cento ao ano sobre aquela importância, ou seja, 800 mil réis (800$00).

A informação provocou a todos grande preocupação. Restabelecida a serenidade, o vice-presidente da Direcção, Alfredo Alexandre Luís da Silva, afirmou que a renda era "pesada", sendo por isso insustentável para os recursos financeiros da colectividade. A Direcção teria de abandonar a ideia de promover quaisquer melhoramentos no campo da Feiteira, para procurar, na área de Benfica, um terreno que oferecesse condições para a construção de um campo de jogos, digno de um clube já com grande projecção no movimento desportivo da Capital.

Para o novo campo reservar-se-ia o projecto antes elaborado para as obras na Feiteira. Afinal, durara pouco tempo o convencimento de que o problema da falta de campo privativo se havia resolvido por completo com a ida para Benfica (Feiteira). Não foi possível continuar nesse local. Porém, durante 3 épocas (de 1908/09 a 1910/11), realizaram-se, na Quinta da Feiteira, grandes jogos de futebol, que movimentaram multidões e que ajudaram o Benfica a consolidar a sua popularidade e o seu palmarés desportivo.

A primeira grande vitória do Clube foi imposta ao Carcavellos Club, no seu campo (2-1) - a formação dos ingleses estava invencível há 9 épocas (!), desde 1898. Depois de nos termos afirmado como o melhor clube de portugueses, passaram a chamarmo-nos "Glorioso"... até hoje!! Apesar de, nesse jogo, não se ter verificado uma grande afluência de público, a notícia correu célere entre os desportistas de Lisboa, que começaram, assim, a acorrer aos nossos jogos, sempre na ânsia de ver nova vitória retumbante - o que fez com que, na Quinta da Feiteira, houvesse sempre muitos espectadores.

Em 09-01-1910, cerca de 8000 pessoas assistiram ao jogo entre o "Glorioso", que estava a fazer uma temporada sensacional, e o Carcavellos Club, invencível há 3 anos (desde o tal jogo de 10-02-1907). Voltámos, então, a derrotar os "mestres ingleses", desta vez por 1-0, naquela que foi a nossa 2.ª vitória sobre esse clube mítico da história do futebol português! Conquistámos, também, pela primeira vez, um título oficial de campeão regional em 1.ª categoria - o primeiro de muitos e muitos títulos conseguidos ao longo da nossa história. O prestígio e a popularidade do nosso Clube cresciam sem parar e, devido à localização da Feiteira (junto à igreja de Benfica, no bairro com a mesma denominação), o nome Benfica começou a ser cada vez mais utilizado, em detrimento da apelidação Sport Lisboa.

Durante o ano de 1908 e seguintes, os dirigentes do nosso clube continuaram a procurar terrenos para instalar um campo, embora com resultados negativos. Em 1910, ainda se realizaram obras de conservação na Feiteira, no valor de 70 réis, graças a um donativo conseguido por acção da generosidade de alguns sócios. Ainda nesse ano, numa reunião realizada no dia 22 de Abril, o problema - que persistia, pedindo resolução urgente (o clube corria o risco de ficar sem campo) - voltou a ser fruto de análise cuidada. Mas a solução só viria a surgir em 1912, com o arrendamento, válido a partir do ano seguinte, do campo de Sete Rios. Foram quatro longos anos de dúvidas e de dificuldades, mas ultrapassadas...

Seria já com a perspectiva de mudar de local que o Benfica realizaria, em 22-05-1911, o seu último jogo na Quinta da Feiteira e, ao mesmo tempo, o primeiro jogo internacional da sua história. O adversário (Francês) foi o Stade Bordelais Université Club. Era o adeus à Feiteira e a Benfica, onde o Clube ganhou especial projecção, arrastando multidões, difundindo a sua popularidade e sobrepondo à designação de Sport Lisboa a força do nome BENFICA. Aí disputámos 22 jogos, traduzidos em 14 vitórias, 3 empates e 5 derrotas; 56 golos marcados e 18 golos sofridos.

Actualmente, os terrenos onde se situou o recinto estão ocupados por prédios e quintais, entre a Estrada de Benfica e a Rua Emília das Neves, já que o destino da Quinta da Feiteira foi, efectivamente, a urbanização, com a criação duma nova rua (Emília das Neves), que se localiza exactamente numa das linhas laterais do antigo campo.



‡ Curiosidades, Dados Estatísticos e Marcos Históricos ‡

Nome: Campo da Feiteira

Inauguração: 14-Julho-1907

Localização: Quinta da Feiteira (em frente à Igreja de Benfica)

Situação Actual: Prédios e respectivos quintais entre a Estrada de Benfica e a Rua Emília das Neves

Tipo de Propriedade: Terreno Alugado por 40 mil réis (40$00)/ano pagos ao semestre

Superfície aproximada da área: 9600 m2 (120m x 79m)

Resultados Totais (de 26-05-1907 e 31-12-1911):  Total de 22 jogos. 14 vitórias, 3 empates e 5 derrotas; 56 golos marcados e 18 golos sofridos 


Alguns dos resultados mais expressivos:

25/10/1908 - Vitória de 2-0 sobre o Sporting CP
Obs.: 1.º jogo para o Regional de Lisboa, utilizando o campo para jogar em casa

10/01/1909 - Vitória de 4-0 sobre o Ajudense FC
Obs.: "Record" de assistentes a um espectáculo desportivo em Portugal até então = 1.000 pessoas

28/02/1909 - Vitória de 5-0 sobre o S.U. Belenense
Obs.: primeira goleada por 5-0

23/01/1910 - Vitória de 1-0 sobre o Carcavellos Club
Obs.: 2.ª vitória sobre o clube dos "mestres ingleses" e "record" de assistência em Portugal até então: 8000 pessoas

09/04/1911 - Vitória de 15-0 sobre o Lisboa FC
Obs.: a contar para o Campeonato Regional de Lisboa