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sexta-feira, 13 de julho de 2007

A Guerra Começa a 18 de Agosto

Caros Amigos, pessoal de Cascais e incendiários de escritórios,


Arranca no dia 18 de Agosto o Campeonato Nacional de futebol Super Liga Betadine.
Antevêem-se dificuldades para o Nosso Glorioso clube no sentido de conquistarmos o ceptro maior. Com tantas vendas de jogadores efectuadas e sendo que as aquisições são uma miragem, não há dúvida que serão feitos investimentos para o futebol só que vindos de outros ramos de actividade. – Café, fruta, biscoitinhos, rebuçadinhos e afins... –Como eu gosto desta palavra: Afins...
Mas adiante...

A 1ª jornada está reservada com o Benfica a deslocar-se a Matosinhos para enfrentar o bem apetrechado, poderoso e recém promovido Leixões. O Nosso Glorioso clube jogará sempre com as “sobras” do V. Setúbal, jornada após jornada.

A Associação Criminosa desloca-se à cidade dos Arcebispos onde certamente esperará por um milagre para vencer. Os Cavalgaduras jogam sempre nas jornadas seguintes com as “sobras” da Briosa.

Sobre o pessoal de Cascais... – ahahah desculpem, mas sempre que escrevo ou falo destes tipos, começo-me a rir... eheheheheheh- recebem a Briosa. Nas fileiras lagartas vão actuar dois jogadores especiais. Um, com “coisas” para mostrar ao nosso treinador e o outro que se enganou sobre o clube que queria realmente representar. Seja como for, os betinhos falidos apresentam-se em campo todos os fins-de-semana para jogar com as “sobras” do SC Braga.

Clicando aqui terá acesso ao Calendário integral da prova.

O POLVO (6ª Parte)

Continuação

”(...) O seu primeiro negócio foi com um clube francês (Matra Racing de Paris) cujo Treinador (Artosco Jorge) já tinha passado pelo clube de GC. -Temos de realizar dinheiro, porque as coisas não estão muito boas. As empresas que tenho montado têm dado uma grande barraca e levam-me o dinheiro todo. Temos o Jorge Palácido para vender a um clube francês. Luigiano D´Onofrio arregalou os olhos e disse com espanto: -Mas, presidente, esse jogador não tem cotação europeia. -Não se preocupe com isso, porque quem lá está vai querê-lo. D´Onofrio, ainda sem acreditar no que ouvia, apesar de toda a sua experiência no mundo das vigarices, perguntou: -Como vai ser feito o negócio? -O nosso clube vende o Palácido à nossa empresa por 60 mil contos e nós vendemo-lo ao clube francês por 160 mil contos. -Desses negócios é que eu gosto. Ganhamos mais que o clube. -Tenho que dar uma volta à minha vida e começar a ganhar dinheiro, porque o que já perdi não foi pouco. No futebol é que está o nosso grande negócio. Luigiano D´Onofrio arregalou os olhos e pensou de imediato em ir um pouco mais adiante, mas resolveu não falar disso com o presidente. Preferia colocar o problema a Reginaldo Teles, que era um elemento mais acessível para as situações de ilegalidade.Logo que pôde, encontrou-se com Reginaldo Teles e convenceu-o a falar com o presidente. -Reginaldo, temos um negócio que dá dinheiro que se farta, mas tens de ser tu a falar disso ao presidente. Reginaldo olhou-o pensativo, mas lá acabou por se decidir. -Não venhas com tangas p´ra mim. Diz lá que o que queres que proponha ao presidente. -Tenho feito aí uns negócios com cocaína e nem imaginas o lucro que isso dá. -Estás maluco. Pensas que o presidente vai numa coisa dessas? -As coisas estão más e é necessário realizar dinheiro. Com a protecção que o futebol dá, podemos trabalhar à vontade. Reginaldo Teles convenceu-se de que, de facto, havia alguma razão nas palavras de Luigiano D´Onofrio e comprometeu-se a falar com o presidente sobre o assunto. Galo da Costa ouviu atentamente Reginaldo e mandou-o avançar com a ideia, mas ele queria ficar de fora. -Resolvam lá isso vocês os dois, mas deixem-me de fora para poder controlar melhora situação. Reginaldo Teles não era burro e ficou desconfiado. Naquele momento não disse nada mas, passados dias, voltou a falar do assunto. -O melhor é ficarmos os dois de fora, e eu arranjo alguém para tratar do assunto directamente com o Luigiano D´Onofrio. De início, o negócio correu bastante bem, mas passados alguns meses, a polícia começou a ameaçar com algumas buscas, tendo inclusive ido esperar o autocarro do clube à portagem dos Carvalhos para o revistar de alto a baixo. Mas nunca encontrou nada, porque a rede estava bem montada e não faltavam informadores. No entanto, Galo da Costa sentiu o perigo que essa situação podia estar a criar e, como tinha consciência de que inimigos era coisa que não lhe faltava, depois das primeiras prisões de pessoas ligadas ao grupo que actuava em paralelo com D´Onofrio, deu ordem para se terminar com o negócio da cocaína que começava a ser vendida um pouco descaradamente aos próprios jogadores de futebol do FC Porto. Galo da Costa não perdia tempo. Não dormia só para pensar. A «coca» garantia muitas horas de espertina, no fim de contas.

Na Ribeira do Porto, dois homens estão frente a frente, tendo como intermediário um copo quase a transbordar de vodka. Um deles foi o craque do clube da cidade (Firmando Gomes). O outro é um jornalista desportivo. Ambos recordam os bons velhos tempos, quando Galo da Costa era apenas um elemento de uma equipa que então ganhava sem precisar de recorrer a meios ilícitos e sem possibilitar o ganho de milhares de contos a marginais e arrivistas. O jogador começou a conversa: -Este mundo é mesmo ingrato. -A quem o dizes - suspirou o jornalista. - Parece que estão todos contra mim. Até o teu colega Travares Telles me vigarizou em mil contos. Disse que ia escrever o livro da minha vida, pediu o adiantamento e o livro foi um ar que se lhe deu... -Que é que se há-de fazer? Este mundo do futebol é mesmo assim. Também não te despediram do clube sob o argumento de que tinhas faltado ao jantar? -Essa é que foi... Deus do céu, só de pensar o quanto eu gosto daquele clube! Mas esse moço de recados, o Octrácio, vai ter um bonito funeral. -Não acredites nisso - retorquiu o jornalista, baixando o tom, pois acabara de entrar no bar um elemento que não conseguiu identificar - o tipo sabe enganá-los com falinhas mansas. Sabes que com todo o dinheiro que tem ainda está a dever mil paus ao director do meu jornal, uma coisa dos tempos de Coimbra? -Vou sair do futebol - anunciou o craque, após uma longa pausa - Este mundo não vale a pena: só os vigaristas, os bruxos e os indigentes é que têm futuro. E não vale a pena metê-los todos num convento, um a um, pois rapidamente iriam acabar por convencer os próprios santos. Bah!, que se lixem esses gajos... -Tem fé, amigo, pois vão acabar por cair de podres. Mas Firmando Gomes, o craque, não estava num dia positivo. Fechou os olhos e pormomentos recordou os golos que marcou, viu-se de braços no ar, os cabelos molhados,correndo para os adeptos, subindo a rede, abraçando o presidente e pensando que o mundo se resumia ao estádio. -Lembras-te quando disseste que a sensação de marcar um golo era superior à de um orgasmo? - perguntou o jornalista, quebrando um silêncio apenas embalado por uma música do Rui Piolhoso que se ouvia em fundo. Firmando Gomes desfiou as suas mágoas, num lamento-monólogo que foi subindo de tom: -Já sei que não sou um génio; nem acabei o curso dos liceus, mas não sou como aquela besta do «capitão» (João Pintas), que ia para os estágios sempre com o mesmo livro, continuando a ler no local que nós íamos marcando, ora mais adiante ora mais para trás. Mas corri um pouco o mundo, leio os jornais e não me dou com a ralé. Até dizem que tenho voz radiofónica e quem sabe se não poderei ser um dia um grande comentador desportivo. Ah, mas o meu sonho, o meu grande sonho, é ser presidente do clube, isso sim, isso iria encher-me as medidas! Eu sei, eu sei, não digas nada, já sei que só depois de o homem morrer é que terei algumas hipóteses. Mas ele não vai morrer tão cedo. Não sei como, mas conseguiu a protecção da Nossa Senhora de Fátima. Sim, da Nossa Senhora de Fátima. O cabrão! Só a mim é que ela não aparece... Firmando estava inconsolável: -Não lhe vou perdoar nunca o facto de me ter obrigado a acabar a carreira noutro clube, logo eu, o símbolo daquele emblema, a sua imagem de marca, o primeiro a dar-lhe algum dinheirinho para o bolso e o favorito do Pidroto. Aqui Firmando teve uma ideia: -Ouve lá, e se eu lançasse uma campanha para dar o nome de Pidroto ao nosso estádio? A ideia nasceu ali, naquele momento, mas no mesmo dia, GC teve dela conhecimento. Vão ter que esperar sentados! - rugiu, sem conseguir esconder que lhe estavam a tentar cravar um espinho na pata. A ideia nasceu, foi regada e germinou. Numa noite de Inverno, foi mesmo debatida e aplaudida num colóquio que se realizou nos arredores da cidade do Porto. Os jornais fizeram eco do acontecimento, mas nenhum jornalista ousou perguntar a GC o que pensava da ideia. GC evitou sempre a pergunta, na certeza de que o assunto acabaria por ficar esquecido. -O Pidroto já lá tem uma lápide, não precisa de mais homenagens e, c´um raio, se ele merece o nome no estádio, o que é que eu não mereço? - interrogou GC os botões do seu novo fato príncipe-de-Gales (...)".
Continua...
Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Nota 2: Para não cansar os nossos leitores e visto que se aproxima um weekend de calor, a publicação de O POLVO só voltará a ser postada na próxima segunda-feira. Até lá, convido todos os que leram desde a 1ª à 6ª parte a postarem um comentário sobre o que acham desta mirabolante história.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O POLVO (5ª Parte)

Continuação
”(...) Mas quando as derrotas surgem ou os resultados demoram a aparecer e as exibições não são as melhores, há sempre associados que contestam. No final de um jogo em que o clube tinha perdido, um associado, passando ao lado dos balneários, não se coibiu de lançar alguns insultos ao presidente e seus pares. -Filhos da puta, chulos, vão trabalhar! Galo da Costa, que estava de sobretudo e mãos nos bolsos, tendo a seu lado Reginaldo Teles e mais dois dirigentes de menor importância, todos rodeados por quatro capangas, deu de imediato uma ordem em surdina: -Fodam-me esse gajo! Os quatro capangas deram meia volta, seguiram o indivíduo até às imediações do estádio e deram-lhe uma sova, perante o olhar incrédulo das outras pessoas que não sabiam muito bem o que se estava a passar. Era a lei da força e do silêncio. O esquema estava montado, e dirigente que ousasse abandonar o clube e falar do que ouviu ou viu, sabia bem o que lhe poderia acontecer. O grupo de seguranças foi-se refinando alicerçado pela parcialidade e impunidade com que os próprios jagunços era tratados e alongou-se até alguns agentes de autoridade que não se importavam de ostentar as suas armas como forma de intimidação. Foi sobre esta onda de poder e segurança que Galo da Costa construiu o seu império e imperializou a sua própria imagem. Ele sentia-se um Al Capone à portuguesa, com a vantagem de não poder ser apanhado pelo fisco, pois não tinha rendimentos legais que justificassem qualquer tributação. Tinha, isso sim, o poder nas mãos e ficou ainda mais seguro disso a partir do dia em que se aliou a um bruxo muito conceituado em terras brasileiras que dava pelo nome de Pai Jójó (Delainei Vieira), um bruxo que não se limitava aos orixás, fornecendo também a equipa de futebol com frasquinhos de vidro que continham um guaraná em pó muito especial, esmagado por uma tribo de índios do interior do Brasil. O «speed», normalmente recomendado para os gulosos do sexo, ajudava os craques e, aliado à normal injecção de «vitaminas», tornava-os super-homens dentro do campo. E era certo que a aparelhagem do anti-doping estava completamente desajustada para detectar o que quer que fosse. Mas até este sector, a seu tempo, foi devidamente controlado. Entretanto, Reginaldo Teles não cessava a sua actividade, continuando a arranjar as melhores amantes para Galo da Costa e a dar-lhe toda a protecção. Rodeado de poder, mas ainda sem dinheiro, o presidente, como lhe chamava Reginaldo, tinha algumas limitações, mas nunca esqueceu o velho amigo Ilídio Pintas, a quem continuava a extorquir o dinheiro que queria para efectuar alguns negócios, sempre com a promessa de que um dia este viria a ser vice do futebol profissional. -É uma questão de tempo. Você tem de ter paciência. Necessito de si em lugares mais importantes para a vida do clube. Um dia o futebol será seu. Com estas palavras de Galo da Costa, o Ilídio Pintas lá ia passando uns cheques e cobrindo algumas despesas, porque fortuna pessoal foi coisa que nunca se conheceu ao presidente. O grande negócio acabaria por surgir. Um clube espanhol (Atlético de Madrid) interessou-se pela aquisição de Frutas, e o seu presidente resolveu vir a Portugal contactar o jogador, sem antes consultar o clube de Galo da Costa. Mas a organização, constituída por mais de uma dezena de guarda-costas, estava sempre bem informada de tudo quanto se passava na cidade e essencialmente dos assuntos que diziam respeito ao clube. Por isso, quando chegou a boa nova de que o presidente do clube espanhol estava em Portugal para falar com Frutas, foi de imediato colocado um plano de ataque em marcha, cujo nome de código era «Caça à Peseta». Apesar de Gilas y Gilas estar, no seu país, bem à altura de Galo da Costa, quando veio a Portugal estava muito longe de saber o que lhe ia acontecer. Chegou ao Porto e combinou encontro com um empresário, para avaliar a possibilidade de levar Frutas para Espanha. O bar era pequeno e decorado de uma forma simples. No fundo da sala, um pouco na penumbra, estava sentado Gilas y Gilas à espera do tal empresário quando irromperam pela sala dentro quatro indivíduos que, sem darem cavaco a ninguém, o rodearam e apertaram contra a parede, lançando o aviso: -Se voltas aqui sem primeiro falares com o presidente do nosso clube, podes ter a certeza que não sais daqui vivo. Na próxima, não há aviso! - rugiu Reginaldo, decalcando o final da sua declaração de um filme que tinha visto em Pinheiro da Cruz. Estas palavras foram ditas com tanta certeza e segurança que Gilas y Gilas quase se mijou pelas pernas abaixo. Fora a sua primeira lição como futuro presidente de um dos maiores clubes espanhóis. «Coño, em Portugal não se brinca», suspirou, ainda com as pernas a tremer como varinhas verdes. Gilas y Gilas não disse palavra, limitando-se a sair do bar e a enfiar-se na sua viatura, acelerando, sem olhar para trás, até Espanha. Gilas até se esqueceu de comprar um queijo da serra em Vilar Formoso, como prometera a Carmena, a sua amante de Madrid/Sul. Já no seu território, contactou directamente com Galo da Costa, e este, sem muitas palavras, indicou-lhe um interlocutor: Luigiano D´Onofrio. -O seu braço direito? - quis saber Gilas. -Mais ou menos, pois será ele a conduzir o assunto – informou GC. Gilas y Gilas ficou tão impressionado com a acção de Galo da Costa que resolveu oferecer um extra ao seu congénere português: uma vivenda em Madrid. -Sim senhor, mas numa zona fina, se faz favor – aceitou GC de pronto. Luigiano D´Onofrio entretanto colocou outro jogador (Rui Barrote) de GC num clube italiano (Juventus) e a soma da venda de Frutas e desse jogador vendido para Itália foi de 1 milhão e 200 mil contos, uma verba que GC nunca teria imaginado poder passar pelas suas mãos. De imediato, GC juntou todo aquele dinheiro e abriu uma conta particular, prometendo aos seus parceiros de direcção que aquela verba iria servir exclusivamente para a compra de jogadores para o clube. Todos acreditaram, mas esse dinheiro desapareceu como o fumo. Para amostra não ficou nem sequer um mísero escudo. As ligações de Galo da Costa com situações marginais começaram a ser comentadas, e isso criou um certo descontentamento entre alguns directores, nomeadamente no patrão da sua empresa, Alfresco Costa, e presidente do Conselho Fiscal do clube. Ninguém como Alfresco Costa conhecia a vida de Galo da Costa e, por isso, sabia muito bem que este andava a viver além das suas reais possibilidades, entrando em outros negócios e noutras sociedades, sem se lhe conhecer a proveniência do dinheiro. Desconfiado desta situação, como presidente do Conselho Fiscal do Clube, Alfresco Costa um dia interpelou Galo da Costa sobre o milhão e duzentos mil contos da venda dos dois jogadores, mas como resposta obteve apenas: -Não tenho de dar contas a ninguém. Alfresco Costa estava de pé frente à secretária de Galo da Costa e quase não acreditou no que estava a ouvir. Aquela era a confirmação de que o dinheiro tinha mesmo desaparecido e não pactuou mais com a situação, demitindo-se do seu lugar de presidente do Conselho Fiscal do clube, ao mesmo tempo que intimava Galo da Costa a abandonar a sua empresa. Alfresco Costa não teve contemplações: -Recuso-me a trabalhar com gente desonesta. Na minha empresa não posso ter indivíduos do seu quilate. Galo da Costa estava na mó de cima e não ficou muito preocupado com a situação. Uma grande parte daquele milhão tinha sido investida em várias empresas com ligações a familiares seus, mas sem o mínimo de capacidade de gestão, e todas acabaram por falir. O dinheiro fácil nunca é bem gerido, e o clube já estava a pagar as aventuras do seu presidente. Mas os fiéis associados pouco se importavam com essas contas. Eles não queriam saber de gestão, mas de golos, e esses não faltavam. Galo da Costa e Reginaldo Teles também sabiam disso e tinham de se organizar no sentido de garantir que esses golos e essas vitórias nunca haveriam de faltar. Para deixar a empresa onde trabalhava, Galo da Costa ainda teve que pagar sete mil contos e ficou sem carro por uns tempos. O milhão e tal de contos tinha desaparecido sem deixar rasto e tinha deixado de rastos GC, a contas com a justiça, por cheques sem cobertura e penhoras a bens pessoais. Foi um momento difícil, mas que não abateu o presidente, levando-o antes a pensar que o seu negócio era o futebol. Era nessa área que se movia como peixe na água, e a modalidade não estava a ser devidamente explorada. Todos os movimentos foram reprogramados, de forma a que o clube tivesse uma gestão capaz de alimentar o seu presidente. Reginaldo Teles acabou por subir na escala do poder no clube. O vice para o futebol foi afastado, e Reginaldo chegou-se mais ao presidente, ocupando o lugar deixado vago. A vaidade pessoal de Reginaldo levou-o a abrir mais uma casa de alternos, desta vez mais chique e refinada. As putas eram de melhor qualidade e o champanhe também. Galo da Costa não perdia um strip-tease, e quando lhe agradava, saboreava ao vivo a estrela do espectáculo. GC sentia-se cada vez mais um Al Capone à portuguesa. Sempre rodeado de guarda-costas, assumia a pose do gangster e já tratava as raparigas da forma que um dia vira num filme americano, nos seus tempos de liceu. Tinham surgido alguns escândalos e alimentava-se a desconfiança em relação à forma como os dinheiros estavam a ser geridos e distribuídos, mas aos poucos a organização refinou-se, de forma a não deixar rastos. Luigiano D´Onofrio era um gangsterzinho e foi-se apercebendo da forma pouco cuidada e pouco profissional como os assuntos eram tratados e em alguns negócios governou-se com mais dinheiro do que aquele que ficara combinado, e para anular essas fugas, Galo da Costa resolveu montar uma sociedade secreta na Suíça para que existisse um maior secretismo. Luigiano D´Onofrio era uma figura envolta em algum mistério. Tanto aparecia como, quase por artes mágicas, desaparecia, o que acontecia normalmente quando se adivinhavam maus momentos. Estas artes de prestidigitador livraram-no de muitos sarilhos, embora alguns anos mais tarde Luigiano não tivesse conseguido evitar alguns dias de detenção num calabouço suíço, por suposta ligação a um caso futebolístico que abalou o futebol francês (Olympique Marselha). GC confiava cegamente no seu amigo Luigiano. -Luigiano, vamos legalizar a nossa situação montando uma empresa de compra e venda de jogadores. No meu clube só você vende e compra todos os atletas, mas podemos estender o nosso negócio até outros clubes desde que se mantenha segredo absoluto. -Está bem , presidente, você é que manda. Um dia ainda há-se ser como o Berlusconicz. Galo da Costa não perdeu tempo. -Vamos já formar essa sociedade, porque tenho um negócio para ser feito já. Na semana seguinte já estavam os dois na Suíça para legalizarem a empresa de compra e venda de jogadores (...)”.
Continua...
Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

quarta-feira, 11 de julho de 2007

O POLVO (4ª Parte)



Continuação (Agora é que vai começar a “tourada”)

“(...) - «Reginaldo, hoje tens de ir a Setúbal entregar uma prenda para o filho do árbitro Carlos Fordes, que faz anos» - pediu, certo dia, GC.
Reginaldo Teles, sempre pronto para estas acções, lá rumou até Setúbal com um fio deouro e uma medalha gravada com o nome do filho do árbitro. Mas, quando lá chegou, não encontrou ninguém em casa. Uma vizinha, que estava na varanda a estender roupa, disse-lhe que tinham ido todos a casa da sogra festejar os anos do miúdo. Reginaldo não perdeu tempo: -Sabe dizer-me onde mora a sogra? -Mora em Lisboa – respondeu a vizinha, dando de imediato a respectiva morada. Reginaldo atravessou a Ponte e uma hora depois lá estava na casa da sogra de Carlos Fordes para entregar a respectiva prenda ao filho do árbitro. Cenas como esta sucederam-se, e todos aceitavam com agrado tamanha amabilidade. Era um gesto bonito e que ninguém podia condenar. Não estava em causa qualquer jogo ou favor, mas uma amabilidade que não era muito normal no futebol. Galo da Costa e Pidroto tinham escolhido a pessoa ideal para executar tal missão. Reginaldo Teles era bem sucedido quando espelhava a face da inocência, do desinteresse, do bom amigo. Foram dezenas e dezenas de missões como esta que deram entrada a Reginaldo Teles na intimidade dos árbitros. Depois de um gesto daqueles, era normal que convidassem Reginaldo para um brinde ou mesmo para ficar um pouco na festa familiar. Nasceram amizades e compadrios. Convites para encontros mais para o Norte e de preferência no seu bar de alternos, com mulheres e copos disponíveis. Lisa tinha tomado conta do negócio, e a sua experiência de mulher da vida muito batida ajudava a controlar e a organizar umas cenas de sexo com as miúdas escolhidas pelos árbitros que visitavam Reginaldo no seu estabelecimento. Pidroto desconfiava da situação e andava assustado com o negócio, mas a doença tomou conta dele e perdeu força, muito embora comandasse todas as operações e estabelecesse estratégias a partir do seu leito, com a cumplicidade do seu fiel adjunto Antónimo Morais. Galo da Costa não gostava da política que estava a ser adoptada e, picado por Reginaldo Teles, com quem tinha relações já muito estreitas, começou a trair o seu grande amigo Pidroto. Reginaldo sabia que o técnico não gostava muito do seu estilo nem apoiava algumas das suas acções. Queria dar dignidade ao clube, e um chulo não seria a personagem ideal para representar em diversas acções a grandiosidade do projecto que ele queria atingir. Reginaldo Teles sabia insinuar-se perante as pessoas. Começou a convidar o presidente para uns copos no seu território. GC nunca se tinha visto rodeado de tantas mulheres. Tinha uma educação de seminarista e nunca lhe passara pela cabeça trair a sua mulher, mas um dia não resistiu às investidas de uma das funcionárias do seu grande amigo Reginaldo Teles. A mulher tinha sido bem escolhida por Lisa e educada por Reginaldo. GC sentiu-se no céu, quando desceu ao leito do amor. Nunca tinha vivido experiência como aquela. Deu consigo a pensar: -Como é que foi possível andar 40 anos sem conhecer uma experiência como esta? Reginaldo tinha ganho a sua primeira batalha. O presidente ficou agarrado a ele através do amor de terceiras (e de quartas, quintas, sextas... não sendo também incomum aos sábados...). Vieram outras experiências, outras mulheres e Galo da Costa andava eufórico. Depois de Pidroto ter morrido, Reginaldo Teles passou a ser o expoente máximo de Galo da Costa, e os outros vice-presidentes do clube não andavam nada contentes com a situação. Um dos grandes amigos de GC chegou mesmo a comentar: -O GC tem uma cabeça extraordinária. O seu mal foi ter começado a ir ao pito aos 40 anos. Isto dito assim nem parece nada, mas a verdade é que a vida nocturna transformou por completo Galo da Costa, que pensou, por momentos, ter alcançado o paraíso na Terra. Reginaldo Teles tinha uma influência extraordinária sobre GC, levando-o mesmo a dizer que só confiava em Reginaldo e no seu gato. Lisa geria o «Play-Girl», o novo bar de Reginaldo, com uma eficiência extraordinária, mas não passava de uma ex-puta, ou mais propriamente de uma puta reformada, mas ainda com boa pinta. A amizade entre ela e GC tinha aumentado graças aos excelentes encontros que ela lhe ia conseguindo com as suas melhores raparigas.
A ligação de Reginaldo Teles ao futebol proporcionava-lhe bons negócios e passos gigantescos na sua ascensão na direcção do clube. A acção de charme com os árbitros evoluía cada vez mais. Os dirigentes que não aceitavam Reginaldo iam sendo afastados. Mesmo aqueles que já tinham uma amizade de longos anos com Galo da Costa. O sexo tinha tomado conta da mente do homem e não havia nada nem ninguém capaz de o fazer parar e encarar a situação de uma forma mais digna. A assiduidade de Galo da Costa era quase diária e não havia forma de alterar os hábitos adquiridos. As mulheres desfilavam pela sua mesa e ele só tinha de escolher qual queria comer e a forma como o queria fazer. Era norma ser o patrão o primeiro a experimentar as novas empregadas, mas essa função no «Play-Girl» passou a pertencer a GC. Era a porta aberta para o êxito e a ascensão de Reginaldo Teles.
O clube de Galo da Costa tinha atingido o auge tanto em termos nacionais como europeus. Era o apogeu, o delírio e o júbilo de um povo que nunca se tinha visto em tamanha aventura. GC fez esquecer o seu velho e grande amigo Pidroto, evitando qualquer comentário que pudesse recordar o velho mestre. A glória tinha de ser só sua e de mais ninguém. A cidade caiu-lhe aos pés, e foi a partir dessa altura que GC tomou consciência do poder que tinha e que Reginaldo Teles começou a alimentar a sua grande esperança de um dia vir a ser alguém no seu clube. Reginaldo tinha Galo da Costa quase na mão, através dos assíduos encontros deste último com as suas miúdas. As amantes sucediam-se e até entravam em lista de espera. GC sentia-se um Don Juan e conhecia uma vida totalmente diferente daquela a que sempre estivera habituado. O poder alimentou ainda mais a sua ambição e começaram aí as traições aos seus melhores amigos. Umas como pura defesa pessoal, outras para abrir caminho para os que iam chegando e prometiam uma maior subserviência, o que lhe dava a garantia de poder governar sozinho e principalmente sem ter de dar muitas explicações. Os títulos traziam muito dinheiro para os cofres do clube e Galo da Costa já tinha esquecido os momentos em que era apenas um vendedor de fogões, muito embora continuasse ligado à mesma firma, onde mantinha uma posição superior. Os milhares com que tinha de lidar começaram a toldar-lhe a mente e a aumentar a sua ambição. O seu clube era um grande chamariz para os grandes negócios e não faltaram oportunistas para tirar partido disso. Foi nessa altura que surgiu um empresário italiano muito ligado à venda de jogadores, mas com negócios ilícitos à mistura. Luigiano D´Onofrio já tinha jogado futebol em Portugal, e acabou por criar raízes no nosso país, mais propriamente a sul, aproveitando uma grande parte do seu tempo para entrar nas redes ligadas ao tráfico de droga... e era mesmo vital aquele ponto geográfico para o negócio!
Luigiano D´Onofrio, um indivíduo baixo, magro e com cara de rato, de nariz afilado mais parecendo um bico, apareceu pela mão de Reginaldo Teles e recebeu a bênção de GC. Luigiano D´Onofrio era um empresário sem escrúpulos e com alguns mandatos de captura em diversos países europeus, precisamente por tráfico de droga, mas foi acolhido como uma pessoa de grande interesse para o clube. Galo da Costa foi quem mais lucrou com a sua vinda. Os jogadores do seu clube inflacionaram-se no mercado europeu, e Luigiano D´Onofrio viu ali um grande negócio para si e para GC. Em todos os jogadores que fossem negociados para o clube ou que saíssem dele, o presidente teria sempre a sua percentagem, desde que mais ninguém interferisse no negócio. Após o recebimento das primeiras comissões Galo da Costa via-se rodeado por dois elementos ligados ao mundo do crime. Não era segredo para ninguém que Luigiano D´Onofrio tinha ligações com a Mafia italiana e que Reginaldo mais alguns familiares viveram sempre de habilidades e negócios marginais, negócios centralizados na prostituição e na receptação de objectos roubados. «Pena é que estes ramos não estejam inscritos nos fundos comunitários», costumava dizer Reginaldo, que um dia ficou deliciado quando em Amesterdão viu umas garinas expostas em montras. Por um só momento, Reginaldo viu a rua de Santa Catarina transformada um gigantesco bordel, imaginando situações do tipo «leve três e pague duas» ou «pague o seu bacanal em dez suaves prestações». Mas era sonhar muito alto.
Foi este tipo de gente que fez engolir em seco muitas pessoas honestas e com dignidade que estavam ligadas ao clube. Alguns protestaram, defenderam a ideia de que o clube tinha de ser gerido com mais transparência e acabaram por ser afastados. Como aconteceu com Adalberto Magalhães, reputadíssimo empresário. GC, cada vez mais lá no alto, qual Deus do Olimpo, qual César à frente das legiões, não dava tréguas: -Aqui quem manda sou eu, e quem não estiver bem que se afaste! O clube vivia momentos conturbados em termos directivos, mas os resultados desportivos eram óptimos. Consequentemente, Reginaldo Teles ia subindo na hierarquia do clube. Já tinha subido de chefe de segurança a chefe de departamento de futebol, uma ascensão que deixou muita gente de boca aberta, mas que foi aceite sem grande contestação, pois nessa altura já Reginaldo tinha todo o seu staff de segurança organizado. Reuniu alguns dos maiores rufias da cidade, alguns dos seus conhecidos dos negócios marginais e de prostituição, e impôs um cordão de silêncio tanto a jornalistas como a dirigentes. Quem contestasse ou denunciasse algo que não convinha, recebia a visita de um desses marginais e ficava sem vontade de dizer mais nada, subordinando-se ao silêncio e à aceitação dos factos. Nem os sócios conseguiam fugir a esta perseguição (...)".
Continua...
Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

terça-feira, 10 de julho de 2007

O POLVO (3ª Parte)



Continuação

”(...) Galo da Costa tinha conseguido realizar o seu sonho, levando como trunfo o seu grande amigo e companheiro de luta Pidroto, o técnico que tinha conseguido o título para o seu clube. Firmando Gomes, o ponta de lança mais cobiçado, tinha sido emprestado a um clube espanhol e serviu de bandeira para ajudar à vitória. Também ele regressou. Mas Antónimo Oliveira, o ex-capitão que nunca se deixou dominar pelos desígnios de Américas de Sá, recusando-se terminantemente a regressar ao clube, passou por momentos bem difíceis.
Não de ordem económica, mas psicológica. Tinham-lhe sido vedadas todas as entradas numa equipa que estivesse ao seu nível. Foi marginalizado e refugiou-se num grupo de amigos, não recebendo a ajuda de ninguém, mesmo de Galo da Costa, pelo qual deu a cara. Antónimo Oliveira era uma vedeta do nosso futebol, uma estrela, um génio, e não podia ser esquecido. Foram meses de desespero. Foi sair da ribalta para o anonimato, mas nada vergou a personalidade deste jogador. Ficou sozinho, mas manteve a classe que sempre foi a sua imagem de marca. Sem clube e sem a mínima vontade de treinar, refugiou-se no ambiente nocturno tão ao seu gosto. Copos e mulheres eram a alma que mantinha de pé a forte estrutura psíquica do «Caddilaque» - apelido que carinhosamente lhe fora colocado pelos amigos mais chegados. Eram bacanais atrás de bacanais devidamente organizados no seu apartamento. Por aquele espaço passaram os melhores ballets de inglesas que actuavam nos casinos nortenhos, as melhores «strip-teasers», as habituais frequentadoras das discotecas e também «travestis» que satisfaziam as delícias de algumas convidadas lésbicas e bissexuais. Sexo em grupo era o prato forte. Após alguns meses de paragem, Antónimo Oliveira resolveu voltar à actividade, mas antes, na companhia de alguns amigos foi passar uns dias a Bordéus, onde esteve a ajudar na vindima. E só no seu regresso, com um visual totalmente novo, de cabelo encaracolado e sem bigode, aceitou um convite do clube da sua terra natal (Penafiel). Tinha uma equipa modesta, mas como era treinador-jogador, abria uma actividade totalmente nova no nosso futebol, revolucionando o sistema e isso teria sempre um enorme impacto mediático. Era a demonstração cabal de que Antónimo era, de facto um homem inteligente, que sabia estar e conhecia o terreno que pisava. A sua estrela voltava a brilhar e de tal forma que logo foi cobiçado por um grande clube da capital. Antónimo não sabia viver sem a companhia do seu irmão, o Joaquinas Oliveira. Foram sempre muito chegados. O Joaquinas Oliveira tinha uma discoteca de alternos e rivalizava com Reginaldo Teles. O seu mundo eram as putas, tal como Reginaldo, de quem diferia muito em termos de personalidade e carácter. Reignaldo era um valentão. Joaquinas Oliveira era pacífico e não era chulo, muito pelo contrário: chamavam-lhe«andor» porque gostava de se rodear de putas e pagar tudo. Todas as noites promovia ceias com dançarinas e também com algumas miúdas ligadas aos alternos. Levava sempre consigo amigos para se querer impor e provar que também era alguém. O negócio não dava para tudo, e vieram as dificuldades. As dívidas aumentaram e, com a ida do seu irmão para um clube da capital (Sporting) tudo piorava. Vieram as penhoras. E logo que Antónimo Oliveira se impôs no seu novo clube, tratou de arranjarum negócio para o seu irmão, uma queijaria nas imediações do estádio, onde era normal alguns jornalistas abastecerem-se sem pagar ou apenas por um preço simbólico (mantinha-se assim a tradição de «pato»). O irmão, pelo seu lado tinha-se assumido novamente como jogador-treinador e, com a ajuda do seu novo presidente, resolveu abrir uma agência de contratações de jogadores. A sua missão era contratar jogadores não só para o clube do seu primo, mas também para os outros. Foi criada a Olivedesportivos. Mas Joaquinas Oliveira não estava talhado para esta missão cuja actividade em Portugal ainda era muito pouco reconhecida. A fuga acabou por surgir através de um sistema de publicidade montado nos estádios, explorando os painéis. Antónimo e o seu irmão Joaquinas continuavam de boas relações com Galo da Costa, mas este, quando foi eleito presidente, resolveu encetar uma pequena guerra com Jonas Rocha, ex-emigrante nos Estados Unidos e presidente do clube onde Antónimo estava a jogar e a treinar (Sporting). As relações entre ambos esfriaram até à altura em que Galo da Costa resolveu tentar trazer novamente o Antónimo para o seu clube, mas o jogador manteve sempre um comportamento de grande responsabilidade. Para além de alguns defeitos, tinha uma grande virtude: nunca esquecia os seus amigos. Jonas Rocha fora o homem que lhe dera uma nova oportunidade para voltar ao top do futebol português, que o ajudou a montar a agência de publicidade para o seu irmão num momento difícil para ambos, e Antónimo não podia de forma alguma esquecer tudo isso. Recusou o convite, mas Galo da Costa não perdoou.
A guerra estabeleceu-se entre ambos até ao ódio e continuou até muito depois de Antónimo ter abandonado o clube da capital e optado pela actividade de treinador. Antónimo e o seu irmão nem queriam ouvir falar em Galo da Costa. «Dá comichão só de pensar nele», dizia um deles, o mais novo, mas claramente o mais esperto. A guerra entre os dois clubes e os respectivos presidentes foi aumentando. Galo da Costa tinha feito com que o seu clube voltasse às vitórias e aos títulos e, como sempre foi amante de uma guerrinha, mantinha a sua bem acesa com Jonas Rocha. A estratégia era de Pidroto: -No Norte só há um clube com força e na capital há dois, por isso só há uma forma de os poder dividir e lutarmos contra eles. Temos de estar sempre bem com um e abrir guerra ao outro. Galo da Costa absorveu a filosofia do «mestre» e acrescentou: - Tens toda a razão e até podemos alternar essa guerra, abrindo fogo sempre sobre o clube que estiver em melhores condições para poder lutar pelo título. Frustrada a tentativa de levar para o seu clube o Antónimo e em resposta a Jonas Rocha por este ter ripostado com a contratação de dois jogadores da sua equipa, Galo da Costa numa acção relâmpago contratou um miúdo que na altura estava a dar nas vistas no clube do seu inimigo Jonas Rocha. Nessa altura, estava longe de imaginar que seria aquele jogador que iria dar início ao seu grande golpe de estádio. O miúdo morava no Montijo e era anunciado como um craque de eleição. Mas o clube de Jonas Rocha abriu a guarda e, numa noite de lua cheia, um funcionário do clube rival do Norte acelerou no seu Renault até ao Montijo, não se esqueceu de comprar no caminho um pão-de-ló em Rio Maior para oferecer à família do rapaz e trouxe-o para a «Invicta», onde o craque se manteve como que sequestrado durante alguns dias. «É o Eusébio branco», dizia-se, se calhar com alguma legitimidade. O craque era conhecido pelo nome de guerra de Frutras. Entretanto, Reginaldo Teles, depois de ter abandonado Américas de Sá, mesmo antes de este ter perdido as eleições, insinuou-se perante GC e, como este ainda não se tinha esquecido da dimensão das dificuldades que lhe foram criadas pelo rapazinho que era treinador de boxe do seu clube, achou por bem abrir-lhe a porta e oferecer-lhe o lugar de chefe da segurança. Reginaldo Teles, consta, mandou abrir duas garrafas de champanhe «Moelas & Cabron», marca que o Fucinha, um dos seus empregados, não conseguiu encontrar no mercado, mas no fim ninguém reparava que era apenas «Raposeira» o néctar que estrondeava. Pidroto nunca esteve muito de acordo com essa acção. Era um indivíduo seguro, competente e com grande personalidade e não gostava muito, nem sequer apoiava, acções de violência ou de alguma forma marginais. Lutava por aquilo em que acreditava e tecia estratégias para a sua luta, contestando, vociferando e acusando de uma forma directa. Tornou-se polémico, irreverente e estabeleceu uma acção de combate virada essencialmente para a arbitragem, cujo controlo partia da capital. Por isso, contratou para a sua equipa um ex-jornalista (Luís Cessar) com a mania das estatísticas, e a sua primeira missão foi a de elaborar um ficheiro de todos os árbitros da 1ª categoria, contendo o maior número de informações. Nome, morada, actividade extra, número de filhos e datas de nascimento de toda a gente do agregado familiar. Como era contra a violência, e Galo da Costa não se cansava de gabar os dotes de Reginaldo Teles, Pidroto pediu ao presidente para lhe entregar a missão de ir a casa dos árbitros no dia do aniversário destes ou de um dos seus familiares para entregar uma pequena lembrança, independentemente do facto de esse árbitro ter ou não ter apitado qualquer jogo do clube. Era o início de uma operação de charme que resultaria em pleno (...)”.
Continua...
No próximo capítulo é que isto vai começar a aquecer a sério!
Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O POLVO (2ª Parte)



Continuação
”(...) Reginaldo Teles era um ás a esgrimir os punhos, sabia avaliar com grande exactidão a capacidade dos seus adversários, e quando não os podia vencer trazia-os para junto de si. Um anjo, este rapaz que veio bastante jovem de uma aldeia transmontana para servir numa tasca de um tio. O estabelecimento estava aberto toda a noite, numa altura em que ainda existiam poucas discotecas. E as que funcionavam em pleno estavam viradas para o alterno e a prostituição. Mas Reginaldo Teles sabia que «putas e vinho verde» só combinam nas horas e nos locais certos. Havia que tratar da vidinha. Ajudava o seu tio pela madrugada dentro e vivia com entusiasmo as cenas de pancadaria entre azeiteiros, putas e marginais. O seu sonho era um dia vir a ser como eles. Homens valentes, com charme, e mulheres tratadas a pontapé a levarem-lhes o apuro da noite e o que até tinham roubado ao prazer. Sobre as delícias do amor, Reginaldo propagandeava dotes extraordinários, como fruto da leitura de um livrinho que comprara na Feira de Vandoma, uma obra cujo título tinha algo a ver com cama(obviamente) e que ensinava a combinar o beijo inclinado com o beijo pressionado. Essa era a matéria que Reginaldo dominava perfeitamente, como já se disse, com destaque para a arte de beijar.
Mas ainda estava longe de ser o rei na noite, sendo por norma acordado por mais um pedido da Bety ou da Lady, pois as putas por aqueles lados tinham todas nomes ingleses...- Ó miúdo, serve-me aí uma sande de fígado com molho e cebola e um copo desse verde rasca que o teu tio tem aí! Reginaldo Teles não se deixava comover. Afinal, eram putas. Tinham de ser tratadas assim. Enrugando a face, com os cantos da boca a quebrarem para baixo, fazia inchar o peito, punha-se em bicos de pés na tentativa de imitar os chulos e atirava com o prato da sande e o copo para a frente da mulher enquanto pensava: «Ainda vais trabalhar para mim». Foi então que um indivíduo com cara de rato, esquelético e de cabelo oleoso, se foi encostando à prostituta que Reginaldo servia e, com uma habilidade nata, meteu os garfos na carteira e roubou-lhe o porta-moedas. Reginaldo, que estava por detrás do balcão a retirar da montra de vidro um naco de polvo envolto em cebola, viu a cena e não perdeu a sua oportunidade de brilhar. Saiu do balcão e, com determinação, agarrou o carteirista e evitou que a Aljazira, mais conhecida por Lady, ficasse sem os poucos tostões que o seu chulo lhe deixou. Apercebendo-se de toda a cena, a Aljazira levantou a mão e deu um soco no carteirista enquanto lhe dizia: -Ah, meu filho da puta de choringa! Sem tempo para pensar, Reginaldo Teles nem sequer hesitou quando se apercebeu que o carteirista ia responder à agressão. Formando um salto, deu uma cabeçada seguida de uma esquerda no choringa e este esparramou-se no chão sem vontade de se levantar. Quando o pôde fazer, nem sequer olhou para trás, deitando a fugir pela rua abaixo. Os presentes fartaram-se de gabar Reginaldo, não só pela sua coragem como também por aquela esquerda indomável. A Aljazira esqueceu-se de que tinha sido vítima de roubo e começou a medir o miúdo de alto a baixo com um sorriso comprometedor e, olhando por cima do ombro, disse-lhe quase num sussurro: -Hoje tens direito a uma de graça! -Com direito a beijo pressionado?- quis logo saber Reginaldo. Que sim, disse ela. Reginaldo Teles não cabia em si. Puxou do pente que trazia no bolso de trás das calças, passou-o pelos cabelos e não deixou ninguém perceber que ainda era virgem. Pegou no resto do vinho que sobrou no copo da Aljazira e emborcou-o de uma golada enquanto lhe dizia: -Estou-te com uma sede! Quando fechou a tasca, lá estava a Lady à sua espera para uma madrugada de amor. Mas estava, ainda, Reginaldo com a chave metida na porta, e já o chulo da Aljazira lhe tocava no ombro. -Onde pensas que vais meu filho. O estabelecimento já fechou. Se queres desenferrujar o prego, espera para amanhã e não te esqueças de trazer trocado. Reginaldo Teles ficou fora de si. Já estava a pensar com os tomates, e aquele gajo não lhe podia vir estragar a festa. Olhou de alto a baixo o chulo. Fixou-o bem nos olhos e achou que lhe podia dar uma tareia. A sua célebre esquerda saltou como um gancho e abateu-se nos queixos do chulo. Ainda este não se tinha recomposto e já levava um meia dúzia de socos, caindo KO no passeio. Numa só noite, Reginaldo tinha abatido dois adversários. Aljazira não hesitou. Estava cheia daquele chulo, e Reginaldo seria o seu novo amante. Meteu-lhe o braço e, com firmeza, levou-o até ao seu quarto alugado, por trás da Igreja da Trindade. Por coincidência ou não, os sinos tocaram a assinalar as cinco da matina e uma gata berrou de cio. Reginaldo estava eufórico e, depois de ter descascado em dois duros da noite, não podia de forma alguma deixar perceber que aquela era a sua primeira noite de amor. As suas calças de bombazina preta começaram a ser afagadas por Aljazira enquanto ela se despia. Ao ver o seu par de mamas, Reginaldo não se aguentou mais e teve uma ejaculação. Lady sentiu as calças humedecidas. -Já te vieste? Reginaldo, sem mostrar atrapalhação por aquele percalço, ensaiou uma vez mais a pose de durão.
-Isto é só uma amostra. Vê se te preparas depressa. E em que pressinha se foi a virgindade de Reginaldo Teles. Aljazira ficou encantada com toda aquela fogosidade e, mostrando-se submissa, pediu com um certo carinho: -A partir de hoje vais ser o meu chulo? Reginaldo sorriu, enquanto puxava as calças para a cintura e apertava o cinto. -Depois da sova que dei ao teu chulo, achas que ele teria coragem de aparecer? O teu homem a partir de hoje, claro que sou eu. Mas para que essa conquista ganhasse forma, havia muitas lutas para vencer. Os pretendentes faziam fila porque o negócio estava mau e havia de aparecer um valentão a conquistar os seus direitos da mesma forma que o fez Reginaldo. Aljazira gostava do miúdo, era forte e atrevido, mas para ficar com ele tinha de pensar numa forma de o proteger. Reginaldo tinha punhos, mas faltava-lhe a experiência. De súbito, veio a solução. Ela tinha um cliente que era treinador de boxe do maior clube da cidade (do Porto) e ia-lhe apresentar Reginaldo Teles para o rapaz poder ir lá fazer uns treinos. Uma semana depois, o tal treinador de boxe disse a Aljazira que Reginaldo tinha futuro. A partir daí, quando as coisas aqueciam no «Ginginha», a tasca do seu tio, Reginaldo Teles fazia uns treinos extra, passando a ser conhecido e respeitado. Depois de fechar a tasca, aproveitava a boleia de um amigo e ia ter com a Aljazira, que atacava em Santos Pousada. Trazia o apuro e a rapariga. Os dois estavam apaixonados. O beijo pressionado passava à história. Reginaldo começou a somar êxitos no boxe e acabou por deixar o emprego na tasca do seu tio para se colocar como segurança e porteiro numa casa de alternos. Foi aí que conheceu a Lisa. Mas um dia, Aljazira descobriu tudo, entrou pela boite dentro, localizou a Lisa, que bebia uma garrafa de champanhe com um cliente enquanto este a beijava no pescoço, pegou-lhe pelos cabelos, atirou-a por cima da mesa e armou por ali uma algazarra tremenda. Reginaldo Teles tentou acalmar as coisas. Não podia perder o emprego e lá convenceu Aljazira a ir-se embora, não sem antes esta prometer que matava a Lisa se ela continuasse atrás do homem dela. Reginaldo Teles tinha-se tornado num dos chulos mais importantes da cidade e, com a ajuda da Lisa, acabou por comprar o seu próprio estabelecimento. O rapaz tinha jeito para o negócio, e a Lisa tinha uma perspicácia tremenda para escolher as melhores putas. Ambicioso, inteligente, hipócrita e já com algum poder económico, Reginaldo Teles tinha apenas mais um sonho: ser campeão nacional de boxe. Ele era bom de punhos, mas havia outros melhores. Com algum sacrifício e habilidade, conseguiu chegar à fase que lhe permitiu disputar o título. O seu adversário era poderoso e Reginaldo Teles não se podia arriscar a deixar fugir o seu sonho. Sempre inclinado para negócios marginais, colocou logo em prática um plano diabólico. Ele sabia que no boxe profissional a corrupção por parte de grupos marginais era uma prática constante e quase normalizada, e num ápice resolveu o seu problema. Contactou o seu adversário, negociou a vitória no terceiro "round" e um KO mal disfarçado deu-lhe a oportunidade de saltar no ringue elevando as luvas em sinal de vitória. Era importante para o seu negócio que os jornais noticiassem no dia seguinte que ele era o novo campeão nacional de boxe. Aquele título significava respeito e medo. Os factores mais importantes para quem quer gerir com tranquilidade uma casa de alternos e de prostituição. Este fora o seu primeiro acto no mundo da corrupção, e Reginaldo Teles ficou fascinado com o poder do dinheiro. Afinal, ele tinha feito um investimento altamente rentável. Pagou para conquistar o título, realizou o seu sonho e duplicou a facturação no seu estabelecimento. Ninguém se arriscava a criar conflitos na sua área de alternos e muito menos a deixar contas penduradas. Os punhos de um campeão eram sempre temidos.
Aproximavam-se novas eleições e Galo da Costa ia ganhando terreno. O treinador Austríaco (Hermann Stessl) que fora convidado para tomar conta do seu clube sob a gerência de Américas de Sá não estava a dar conta do recado. Os sócios habituaram-se aos títulos e queriam mais, mas a bola teimava em não entrar na baliza. Enquanto isso, GC esfregava as mãos e preparava a sua candidatura. Os apoios eram cada vez mais fortes, e uma nova estratégia foi colocada em movimento. Ele tinha de apostar forte na vitória eleitoral e, aproveitando os maus resultados da equipa, organizou por todas as freguesias da cidade sessões de esclarecimento com uma programação meticulosa. Iniciava-se, assim, a «Operação Ácido Sulfúrico», cuja alternativa, em caso de falhanço, tinha o nome de código de «Operação Cicuta». Na organização dos seus comícios, GC deu sempre preferência aos bairros pobres e à parte velha da cidade. Era aí que estava o povo e a força do clube. GC organizou o seu staff comandando um grupo de associados aos quais impôs serem eles a obrigarem-no a partir para uma candidatura. Desenvolveu-se então o célebre grupo dos 500, do qual saíram elementos devidamente comandados que se distribuíam pelos cantos das salas onde eram organizadas as tais sessões de esclarecimento. A missão deles era empolgar as sessões e fazer perguntas previamente combinadas com Galo da Costa. Numa dessas noites, na Associação Recreativa de Miragaia, foi assim: -Presidente, qual é o principal inimigo do clube? -Antes de mais, repito, ainda não presidente...Gargalhada geral, e GC tomou as rédeas à sala, não evitando porém a queda de estuque sobre o novo casaco, -O principal inimigo está dentro do clube, o servilismo a Lisboa. Estamos fartos de ser espoliados. Chegou a hora de dizer «basta». Com uma cajadada, GC matava dois coelhos. Para além do mais, o discurso saía-lhe cada vez mais com mais facilidade e tudo era acompanhado, comentado e analisado pela imprensa desportiva e jornais diários. A cidade e Américas de Sá viviam sob o fogo cerrado de Galo da Costa. O presidente já não podia sair à rua sozinho, e as assembleias gerais eram cada vez mais escaldantes, levando mesmo o doutor Américas de Sá ao desespero e a chorar em público. Foi nessa altura que Reginaldo Teles teve o seu papel mais importante. Organizou um grupo de guarda-costas recrutados nos quadros da secção deboxe do clube que, com alguns rufias nocturnos à mistura, organizou alguns ataques a jornalistas que de uma forma ou outra denunciavam a protecção a Galo da Costa. Evidenciando alguma inteligência e revelando o seu carácter de hipócrita, Reginaldo Teles verificou que a derrota de Américas de Sá era mais que evidente, e assim se foi distanciando da protecção que prometera ao seu presidente. Algumas figuras notáveis da cidade aliaram-se a Galo da Costa e, no momento das eleições, a derrota foi fatal para Américas de Sá (...)”.
Continua...
Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

domingo, 8 de julho de 2007

O POLVO (1ª Parte)



O Amo-te Benfica vai revelar a partir de hoje e durante os próximos dias, os episódios que marcaram a ascensão da Máfia sobre futebol português e todos os seus meandros.


“ (...) Galo da Costa assumiu a derrota, mas não a digeriu. Parecia perdido para o futebol. A sua atitude revolucionária tinha deixado marcas bastante profundas. O seu futuro como dirigente estava severamente comprometido, mas Galo da Costa sempre acreditou que no futebol é o golo que comanda as atitudes e as situações e que provoca a queda dos dirigentes e treinadores. Por isso, GC não se deixava abater com tanta facilidade. A sua resistência não tinha limites e afinal só tinha perdido uma batalha. O importante, agora, era fazer com que o seu clube tivesse alguns desaires. Tinha, por isso, de montar a sua estratégia, mesmo sem os seus anteriores aliados. Os seus companheiros, os da tentativa de revolução, colocaram-se à margem para se aliarem a quem ficou com o poder, e os profissionais seguiriam o seu rumo, a sua vida era aquela; e, mais tarde ou mais cedo, acabariam por surgir novos empregos. Eram artistas do futebol, tinham mérito e qualidade. O seu caso era mais difícil. Era um dirigente com algum carisma ganho à custa do prestígio de Pidroto. A sua personalidade e capacidade ainda não tinham sido verdadeiramente testadas. Faltava-lhe prestígio para fazer frente a Américas de Sá. E não podia continuar a vender fogões toda a vida... Sem abandonar os bastidores do futebol, foi minando a gerência de Américas de Sá. Não era homem para ser derrotado com tanta facilidade, mas em alguns momentos chegou mesmo a sentir o desespero de uma causa que parecia perdida. Mestre a colocar o boato a circular, fez constar que um clube da capital lhe tinha dirigido o convite para assumir o comando do departamento de futebol. O objectivo era deixar passar a mensagem de que o inimigo tinha visto nele superiores qualidades e, perante tal facto, esperar que algumas vozes se levantassem, reconhecendo o erro que tinham cometido. Mas acabou por acontecer o contrário. A credibilidade de Galo da Costa em relação às posições que tomou em defesa do Norte foi afectada. Apercebendo-se de que a sua estratégia não resultara, logo se apressou a desmentir o boato posto por ele a circular. As eleições estavam próximas e era necessário estabelecer um plano mais sólido para derrotar Américas de Sá. Não era homem para viver sob o domínio da derrota ou mudar de atitude procurando novamente as boas graças do presidente. Na sua personalidade e forma de estar não encaixava a imagem de um falhado. Galo da Costa passou a sua idade escolar num colégio onde imperava uma grande influência da religião católica e quando atingiu o liceu foi internado num colégio de padres. Dos mais prestigiados do Norte do País. Ali fabricavam-se verdadeiros homens. Eram testados como cobaias para poderem enfrentar no futuro as mais adversas contrariedades da vida. Uma das disciplinas era constituída pela defesa individual de cada aluno perante toda a turma e, já nessa altura Galo da Costa era tido como o mais desenvolto no uso do discurso, na sua capacidade de raciocínio rápido e retenção na memória de dados essenciais. Inteligente e astuto como um verdadeiro jesuíta, bem cedo começou a demonstrar um grande sentido de chefia. Sabia como dividir para reinar, utilizando um ar cândido e descomprometido quando algumas atitudes de má-fé lhe eram dirigidas. Atirava a pedra e sabia como esconder a mão. Mas a sua verdadeira arma era a grande capacidade de trabalho e a completa dedicação a tudo o que fazia. Chegou a pensar ordenar-se padre, e o director do colégio apostava que, se ele seguisse essa carreira, iríamos ter o segundo papa português. A sua postura, a sua forma de falar e de estar deram-lhe sempre um toque clerical. A mesma mão que abençoava os amigos, empunhava a cruz onde ele havia de crucificá-los. Cativava, fazia amizades com facilidade e sabia como as utilizar e destruir como se nunca tivesse culpa de nada. Nunca foi grande atleta, mas a sua paixão pelo desporto atirou-o para o dirigismo. Começou por baixo, mas não foi necessário muito tempo para chegar ao topo da pirâmide. Destronar Américas de Sá era agora o seu maior desafio. Começou então a rodear-se de amigos com algum prestígio no clube, procurando apoios para se candidatar. Tarefa que não era fácil. Na altura, para se ser presidente de um clube de futebol era necessário ser-se um empresário de sucesso e ter dinheiro disponível para enfrentar algumas situações, e esse não era o caso de Galo da Costa. Ele sabia-o como ninguém e procurou então apoiar-se em pessoas abastadas economicamente, não dispensando o seu grande amigo, Ilídio Pintas. Havia, no entanto, uma situação que era necessário ultrapassar. O Ilídio tinha-se encostado ao Américas de Sá, mas GC sabia que ele estaria sempre do lado de quem tivesse o poder e, com alguma facilidade, jogava sempre com um pau de dois bicos. O certo é que Ilídio tinha o dinheiro, e GC iria necessitar desse apoio. Tinha também na mão outra gente que vivia desafogadamente em termos financeiros e que por terem sido preteridos por Américas de Sá se colocaram do seu lado, mas esses eram mais inteligentes e não seria fácil arrancar-lhes o dinheiro sem lhes dar nada em troca. Não podia também colocar em risco uma nova derrota. Tinha de ir à luta pela certa, e o momento era propício porque se começava a notar um certa instabilidade no seio do clube. Tudo servia para se atacar a gerência de Américas de Sá. Faziam-se assembleias gerais agitadíssimas, com Galo da Costa a colocar algumas pessoas estrategicamente no meio dos sócios a criar a confusão. Américas de Sá passou momentos de grande desespero, porque lhe era impossível controlar a situação. Foi então que tomou consciência da existência de um jovem com alguma história no clube. Reginaldo Teles, campeão nacional de boxe e na altura treinador, foi a solução encontrada para controlar as agitadas assembleias gerais. Ex-pugilista, brigão, chulo e nutrindo uma certa paixão por negócios ilícitos, ofereceu-se para arrumar a casa e impor a ordem nas confusões programadas por Galo da Costa. Era treinador de boxe do clube e reuniu os seus rapazes para patrulharem a sala, e o certo é que com alguns murros e cabeçadas acabou por conquistar o lugar de chefe da segurança de Américas de Sá. Galo da Costa temia-o, porque não era um brigão vulgar e muito menos um marginal estúpido e incompetente. Reginaldo Teles tinha um espírito e uma personalidade muito idênticos aos de GC. Dava as ordens para descascar à fartazana e depois surgia como o apaziguador, o bom rapaz que nada tinha a ver com aquela violência. GC detestava-o, mas viu nele a solução para o futuro (...)”.
Continua...

Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Arranque da época 2007/2008

Os elementos que irão compor o plantel do Benfica na temporada 2007/08 apresentaram-se hoje ao trabalho, sendo a manhã reservada a exames médicos. O primeiro treino da época terá início às 18h15. Treino esse que será o único ao qual os adeptos benfiquistas poderão assistir, por isso aproveitem!
Entre os elementos presentes nesta manhã de trabalho, destaque para as caras novas: Zoro, Bergessio e Sretenovic, além dos juniores Yu Dabao, Miguel Vítor e Romeu Ribeiro e do regressado Manuel Fernandes. Ausentes estiveram Cardozo (integra a selecção do Paraguai na Copa América), Fábio Coentrão e David Luiz (representam as respectivas selecções de Sub-20 no Mundial da categoria), Léo e Katsouranis (devido a motivos pessoais), bem como Karagounis, que sairá muito provavelmente do clube.

Foi também o dia da apresentação dos novos equipamentos do Benfica:


Para aqueles que estavam à espera do equipamento para mandar umas boquitas, aqui vos deixo um presentinho do nosso Ricardo Araújo Pereira (tirar o som ao clipe de música, que se encontra no canto superior direito da página):



Eu também vou vestir o rosa, são lindos ambos os equipamentos!

Para terminar, uma notícia que não espanta ninguém.

sábado, 30 de junho de 2007

Outra vez, Vanessa?!?!?!


Vanessa de Sousa Fernandes, este nome é sinónimo de uma CAMPEONÍSSIMA, é sinónimo de orgulho, é sinónimo da vontade, do querer, da determinação, da garra, que fazem de Vanessa Fernandes uma verdadeira atleta de elite, só ao alcance dos predestinados.
Nascida a 14 de Setembro de 1985 com o seu 1,68m e 57 kg de peso a Nossa triatleta conquistou, hoje, em Copenhaga o tetracampeonato de Elites.
Vanessa chegou ao final da prova com muito avanço, tendo tido tempo para ir buscar uma bandeira portuguesa para, então, cruzar a meta.
Como é habitual Vanessa saiu na frente na transição do ciclismo para o atletismo sem que mais ninguém a conseguisse alcançar, nem mesmo a campeã olímpica Katie Allen (Áustria).

"Estou um pouco surpreendida, pois esperava fazer o atletismo na companhia da Katie. Se isso acontessesse os tempos se calhar melhoravam", contou Vanessa, que questionada se promete o penta para Lisboa, no próximo ano, alertou: "É sempre muito complicado vencer. As pessoas acham que é fácil, mas não o é. Quatro títulos consecutivos já é bom, agora temos de ter calma e esperar para ver o que pode acontecer. Esta vitória é de todos. Dos meus companheiros, dos meus pais e família"
Vanessa estreou-se na modalidade no Triatlo de Peniche. Os seus dotes naturais fizeram com que aos 15 anos ingressasse no Centro de Alto Rendimento do Jamor onde reside e passe a maior parte do seu tempo.

Por todas estas vitórias que elevam bem alto o nome de Portugal e do Nosso querido e amado Sport Lisboa e Benfica:

OBRIGADO VANESSA!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Paneleiragem!



Caros amigos e viscondes falidos,

Estão a ver porque é que o Miguelito Piolhoso foi dispensado do Glorioso?!

A sua mãe comentou que no Benfica "diziam que o rapaz tinha cú de padeiro, os filhos da puta..."

Pois é... É que no nosso Clube não se admitem gays, simpatizantes e afins. Então não é que o rapaz aproveitou os festejos dos jogadores da Selecção de quase todos nós para sodomizar o nosso Manelélé... Grande gay!



Com que então é isto que vocês aprendem na valiosa Academia do Cheirete?!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

VAMOS VOMITAR?!


A Comissão da merda Disciplinar da Liga penalizou a Associação de Malfeitores com 2400 euros de multa pelos petardos lançados das bancadas onde se encontravam os adeptos Andrades no jogo com o Glorioso, na Luz. Mas os “cabrões” pagam mais por causa do comunicado que reagiu ao castigo do Cigano: multa de 3250 euros. – Nesta merda de país, só mesmo isto para nos fazer rir!
Em relação aos incidentes no Nosso Estádio, a Comissão da merda Disciplinar deu como provado o rebentamento de nove petardos(!!!!!!!!!) e o lançamento de duas cadeiras, -tantas?!- causando lesões em três espectadores. – É mentira, ninguém se magoou, que aldrabões!- O organismo fala também em convicção “fundada” de que o autores integravam a claque organizada Super Cabrões.
A Comissão da merda Disciplinar salienta no entanto que, à luz dos regulamentos, os incidentes só podem ser enquadrados na definição de “infracção leve”, porque o artigo que enquadra as ofensas corporais graves prevê que haja “lesão de especial gravidade”, que “mutile, deforme, desfigure”, ou, entre outras coisas, provoque “doença grave ou incurável”. Como não foi o caso, a pena foi enquadrada nas infracções leves. Ok pronto! Desta vez não morreu ninguém. Mas da próxima vez que nós, Benfiquistas, formos a um estádio, não se esqueçam do seguinte material:

Capacete
Colete à prova de bala
Camuflado militar
Espigarda automática M-16 c/baioneta
Munições Hollow Point
Rações de combate (Caso o jogo tenha prolongamento)

Quanto ao caso do Cigano, a Comissão da merda Disciplinar considerou a Associação de Malfeitores culpada de violar “a honra e a reputação” da Comissão da merda Disciplinar, com o comunicado divulgado no seu site, pelo que decidiu punir o clube com multa de 3250 euros.
Há ainda uma multa de 1350 euros à Associação de Malfeitores por Jesualdo Caganeira ter faltado ao “flash interview” no jogo com o Marítimo de 11 de Março (o treinador paga 125 euros). No total, a CdmD aplicou à referida Associação mais de sete mil euros em multas nesta última reunião.


Tendo em conta que podiam perecer pessoas, a multa aplicada pela CdmD pelo comunicado emitido pela Associação sobre o Cigano é superior àquela em que ficaram pessoas feridas e que poderiam ter morrido outras mais?!


Desculpem mas nós vamos ali VOMITAR um bocado e já voltamos!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

PARABÉNS CAMPEÕES!!!


FABULOSO!!! Nem com este adjectivo se consegue explicar um mar de emoções e de festa que se viveu dentro do Pavilhão Açoreana, no complexo desportivo do Glorioso, após o termo da partida que decidia, na “negra”, o Campeão Nacional de Futsal.
Com um apoio nunca antes visto por parte dos nossos indefectíveis adeptos, que demonstraram bem o porquê de sermos o Maior Clube do Mundo, o Benfica bateu o Sporting por 1-0. O futsal do Benfica conseguiu o incrível: Ganhar todas as competições Nacionais na presente temporada (Campeonato, Taça e Supertaça!!!).
No final, como anteriormente referido, foi o Benfica a fazer a festa, perante a perfeita loucura que se viveu na Luz, numa noite memorável.

OBRIGADO CAMPEÕES!!!

O Amo-te Benfica teve a feliz oportunidade de conversar, em exclusivo, com alguns dos nossos campeões, aos quais desde já agradecemos a sua amabilidade.

Amo-te Benfica: Mister, a que soube este título de Campeão Nacional?
Adil Amarante: Olha, depois da época toda que passei, dos problemas todos que eu tive a nível pessoal, este título sabe a muito, é uma coisa indescritível... Eu sei que mesmo dentro do seio do Clube eu não sou uma pessoa querida, eu não sou um treinador carismático, mas eu não vim aqui para ser querido e muito menos carismático, eu vim aqui para vencer, para ganhar títulos e eu acho que isso nós temos conseguido. Em três anos, nós conseguimos duas taças, dois campeonatos, uma super-taça, boas representações a nível de Eurocopas e por aí fora. Eu acho que por tudo o que eu já fiz pelo futsal português, eu merecia um pouquinho mais de respeito. Eu tinha ponderado, agora, no final dessa época pedir demissão, por tudo o que tinha se passado, achava que era melhor me afastar, mas em respeito a uma pessoa em especial que é o Eng. Luís Moreira, que me apoiou desde o primeiro segundo ao último, depois de tudo o que aconteceu comigo e em respeito a essa nação benfiquista, a esse mundo de adeptos, eu ponderei a situação e vou continuar; e sonhar não custa nada, fica aqui numa forma de desabafo e de promessa: Eu vou ficar para fazer com que, se tudo correr bem, se Deus quiser, o Benfica seja campeão Europeu.

A.B.: Pode garantir a manutenção dos principais atletas do futsal do Benfica?
A.A.: Eu penso que essa é uma resposta que quem tinha que dar seria o pessoal da direcção, mas eu penso que sim.

A.B.: Os objectivos a que se propõe na próxima temporada passa por conquistar todos os títulos em que o Benfica entrará para disputa?
A.A.: Concerteza, aqui é uma equipa de campeões e nós trabalhamos do primeiro ao último segundo de cada temporada com o objectivo de sempre fazer com que esses adeptos possam ter a alegria que tiveram hoje.

A.B.: Uma palavra final para os adeptos do Benfica...
A.A.: Eles são os maiores!


Amo-te Benfica: Como atleta e Capitão do Benfica, a que soube este Campeonato?
André Lima: É especial sempre, e ganhar ao Sporting é mais especial ainda... Foi um ano muito bom, ganhámos tudo o que havia para ganhar, estamos todos de parabéns, acho que foi merecido este Campeonato.

A.B.: Alguma vez tiveram dúvidas sobre a conquista deste mesmo título?
A.L.: Sabe que o play-off é um bocado traiçoeiro, nós fomos melhores durante toda a época, mas isto são três jogos um jogo ou dois jogos maus podem deitar tudo por água abaixo. Mas graças a Deus, com muito espírito de sacrifício, com muita união, os jogadores conseguiram dar uma boa resposta hoje.

A.B.: A palavras do treinador do Sporting, ontem, acabaram por cair em saco roto...
A.L.: Sim, ele faz o papel dele e não me cabe a mim responder ao treinador do Sporting, cabe-me sim, proteger os meus companheiros e foi isso que eu fiz no final do jogo às câmaras da SportTv.

A.B.: Uma palavra aos adeptos do Benfica...
A.L.: Continuem a apoiar o futsal, porque o futsal ainda vai dar mais alegrias e títulos maiores do que este!

A.B.: Podemos continuar a contar com o André Lima para o ano que vem?
A.L.: Continuam! Eu prometo uma coisa: Nunca me vou arrastar no Benfica. No dia em que eu não conseguir ou que eu achar que já não sou útil, concerteza a minha carreira acaba, porque eu sou incapaz de prejudicar o Benfica.

Também Bebé falou ao Amo-te Benfica considerando que este “é um título muito especial” por reputar ser o seu primeiro ano a jogar “regularmente”. Bebé salientou ainda as palavras de André Lima que referiu que “nós tínhamos que ser mais humildes do que eles...” Acrescentando ainda que o Sporting “morreu com o próprio veneno.”
Bebé agradeceu a dedicação por parte dos adeptos do Benfica, que na sua opinião “foram fantásticos, fabulosos” e que nunca tinha visto nada assim.

OBRIGADO RAPAZES!!!



P.S.- Por lapso da minha parte –raio que parta o gravador- igualmente Ricardinho falou ao nosso blog, mas para minha infelicidade, talvez motivado pela alegria, as suas palavras não poderão ser aqui transcritas uma vez que não tinha o botão do REC. ligado e assim sendo, jamais colocaria no blog meras invenções para preencher esta publicação.
As minhas mais sinceras desculpas, Ricardinho.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Afinal... Como Vai Ser?!


Benfica dispara –é um tiroteio que não tem explicação- 22% com nova OPA!


As nossas acções dispararam esta manhã 22,5% depois de ontem Joe Berardo, ter alargado o âmbito da OPA - até 85% do capital da SAD, uma vez que os restantes 15% não podem ser alienados pelo clube - por imposição da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Atenção que aqui já estamos a falar das acções do Tipo A.

Deste modo, passam a ser objecto da Oferta um total de 12 milhões de acções representativas de 85% do capital social da Benfica SAD. Assim, às 9h16, os papéis do Benfica disparavam 22,56% para os 4,40 euros, mantendo-se acima do valor da contrapartida da oferta apresentada por Joe Berardo de 3,50 euros por acção. Na passada sexta-feira a Metalgest anunciou o lançamento de uma Oferta Pública Parcial de Aquisição sobre as acções de categoria B da SAD Benfiquista, ao preço de 3,5 euros cada uma.
Caso a OPA tenha SUCESSO, o empresário ficará em CONTROLO do BENFICA.


Ninguém dá nada a ninguém sem esperar uma contra-partida. OPA sim, mas NÃO desta maneira, NUNCA!

BENFIQUISTAS, ABRAM OS OLHOS:
SERÁ QUE É ISTO QUE NÓS QUEREMOS PARA O NOSSO CLUBE?!?!

Tratar os porcos pelo devido nome

Ao abrir a caixa de e-mail do amo-te benfica deparei-me com um e-mail bastante interessante que gostaria de partilhar convosco:

"[...]Com este contacto apenas pretendo dar voz à minha luta de longo tempo: contrariar o porco da costa e seus capangas e repor a verdade no seu devido lugar e elevar sempre mais alto o nosso Glorioso. Há muito tempo que procuro por todos os meios convencer os Benfiquistas a tratarem sempre os adeptos do fcp por "andrades".É que o porco da costa, seu chefe de fila, procura a todo o custo impor a designação de "dragões", só que, esta designação tem há muito tempo um legitimo dono: o club de Sandim, uma freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia. Os fcp`s desde a decada de 1940 aproximadamente que são conhecidos na cidade invicta por "andrades", batizados pelo POVO, face às filhasdaputice que eles fizeram ao Sport Club Progresso, um pequeno mas muito honrado club da zona do Amial na cidade do Porto. Os velhinhos da cidade lembram-se bem e não esquecem.
Portanto, pretendo tambem o vosso apoio para que se passe palavra aos Benfiquistas para que sempre que se refiram aos adeptos do fcp, os tratem sempre mas sempre por "andrades".[...] VIVA O BENFICA!"


Não é que os andrades até nisto fodem os mais pequenos?
Obrigado pelos e-mails que nos teem enviado, continuem ;)